Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 26 de Março de 2019
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Publicado em 01/03/19, às 18:28

‘Cadê tu?’

Por Roberto Marinho

A lista é longa, e inclui empresas que já foram famosas, como a Boi Gordo e Telexfree, entre outras, que atuavam com esquemas de ‘pirâmides’ até quebrarem. A mais recente tem a ver com o Sul Fluminense, em especial com a cidade do aço. Trata-se da JJ Invest, que pertence a Jonas Jaimovick, que seria de Barra do Piraí, e que chegou a atuar em Volta Redonda, tendo firmado até um contrato de patrocinador com o Voltaço. O empresário, que ninguém sabe dizer onde está, chegou a posar para reportagens em grandes jornais da capital, segurando, todo orgulhoso, uma camisa do tricolor de aço.
A JJ Invest é mais conhecida como uma empresa carioca, com sede em Copacabana, bairro da cidade maravilhosa, onde recebia grandes nomes do meio, artistas e políticos, até que Jonas passou a ser investigado pela Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF), e ainda pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esta última, que regula as empresas que operam no mercado financeiro, já havia emitido dois alertas ao mercado avisando que a JJ Invest não teria licença para operar.
Apesar dos alertas, a ambição de ganhar mais, e rápido, falava mais alto. A promessa da empresa de gerar lucros de 10% a 15% sobre o valor investido chamou a atenção de muita gente boa, como Zico e Júnior, ex-craques, e o ator global Sérgio Loroza. O marketing ostentação da JJ Invest, que adorava patrocinar times de futebol e chegou a colocar o logo da empresa na camisa do superastro Neymar Jr., dava a impressão que a ‘coisa era séria’.
Quando surgiu a notícia de que a JJ Invest estava sendo investigada, os clientes correram até a sede da empresa para tentar sacar o valor que tinham investido. Poucos conseguiram. Alegando não ter recursos para pagar a todos, Jonas simplesmente raspou o caixa e escafedeu-se. O prejuízo estimado pelas autoridades é da ordem de R$ 300 milhões.
Nas redes sociais, quando se busca pelo nome de Jonas ou da JJ Invest, entre os resultados aparecem ‘JJ Invest Roubou’, ‘JJ Invest Roubou Meu Dinheiro’, entre outros, todos nada lisonjeiros. Ainda na internet, a última postagem de Jonas é de 3 de fevereiro, quando mudou, inclusive, a foto do seu perfil. Nos comentários, os inter-nautas postaram as diversas reportagens que já saíram sobre as investigações contra a JJ Invest e Jonas. Em 21 de janeiro, Jonas deixou uma mensagem: “Nunca se esqueça de quem te ajudou, enquanto os outros deram uma desculpa”, filosofou.
A esposa de Jonas – Michele Wakslicht – foi impedida de sair do Brasil por agentes da Polícia Federal, quando tentava embarcar para Israel no Aeroporto do Galeão, no Rio. Questionada por repórteres sobre o paradeiro de Jonas, Michele respondeu: “Quero que ele morra!”. Nem parecia a mulher que, em 2017, Jonas agradecia por “ter a esposa perfeita, que dispensa comentários”.

Em dia

Procurada para falar sobre o relacionamento com Jonas da JJ Invest, a direção do Voltaço garantiu que a empresa está em dia com o clube. Ou melhor, já quitou a cota de patrocínio máster do Volta Redonda até dezembro deste ano. “(Ela) quitou todas suas obrigações contratuais”, informou a assessoria de imprensa do clube. Ou seja, a JJ Invest pagou algo em torno de R$ 310 mil de cota de patrocínio até o final de 2019, data de vigência do contrato. Portanto, a marca JJ Invest ainda será usada por um bom tempo nas camisas do Voltaço. Mesmo que seu filme já esteja queimado.

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