Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
0
Publicado em 27/11/17, às 09:17

‘Bom pros idosos’

Paolla Gilson

O prefeito Samuca Silva (Podemos) quer viver um Natal daqueles. Inesquecível para ele e para todos os voltarredondenses. Quem acompanha o aQui sabe, por exemplo, de acordo com o que foi divulgado em edições anteriores, das suas intenções para o fim do ano. Mas, como todo bom chefe do Executivo que se preze, sabe que apenas enfeitar o Escritório Central da CSN não vai convencer a população de que sua gestão é pra valer. Por isso, Samuca vai presentear a terceira idade da cidade do aço, entre outras, com a inauguração do ‘Hospital do Idoso’, ainda em dezembro, que passará a utilizar as dependências e equipamentos do antigo Hospital São Camilo, na Vila, desativado há quase um ano.

 

Em entrevista exclusiva ao aQui, o secretário de Saúde, Alfredo Peixoto, revelou que a inauguração do hospital não vai poder acontecer no dia 1º de dezembro, como prometido, por conta de alguns problemas de organização. Ele também contou que a unidade vai iniciar suas atividades usando, inicialmente, apenas 40 dos 60 leitos disponíveis, devendo atingir a capacidade máxima até a metade do próximo ano. Do total de leitos (60), metade será para mulheres e a outra metade para homens. Dos 40 leitos iniciais, 30 serão para clínicas médicas e 10 para atos cirúrgicos. A estrutura do antigo São Camilo é composta por seis UTIs (que não estarão ativas a princípio) e dois centros cirúrgicos.

 

Quanto às especialidades médicas que serão oferecidas no Hospital do Idoso, o secretário de Saúde, Alfredo Peixoto, diz que elas serão das áreas de urologia, geriatria, cardio-logia e oftalmologia. Além destes serviços, haverá também uma novidade: programas de estímulo ao desenvolvimento cognitivo e social – como exercícios para memória e oficina de artesanato, por exemplo –, que serão disponibilizados aos pacientes. “É como um hospital de cuidados prolongados para a terceira idade”, resumiu Alfredo.

Inspiração em Curitiba

Outra informação inédita revelada pelo secretário é que junto ao Hospital do Idoso (no mesmo espaço físico) ficará o SAD (Serviço de Atendimento Domiciliar). A decisão foi tomada após uma visita que Alfredo fez ao Hospital do Idoso de Curitiba, em agosto. “Tínhamos uma ideia que gostaríamos de fazer e vimos que lá funciona. O SAD é para qualquer paciente acamado por mais tempo. Em Curitiba, ele fica junto com o Hospital do Idoso. Então, faremos isso também”, comentou, anunciando que será formada mais uma equipe do SAD na cidade.

 

Comandando a Saúde, Alfredo foi até a capital do Paraná acompanhado do subsecretário de Saúde, Caio Larcher, em busca de novos conteúdos e ideias. Aproveitou para avaliar os processos internos de um hospital, voltado exclusivamente para a terceira idade, e que já estivesse em funcionamento. Entretanto, a visita não terminou como o esperado. “Achávamos que iríamos aprender lá, mas não foi bem assim. Eles têm o Hospital do Idoso, mas a unidade não trabalha só para os idosos. É um hospital de referência para todas as UPAs de Curitiba. O centro cirúrgico deles não é muito ocupado, é superdimensionado, então fica ocioso. Aí eles fazem ‘mutirões de cirurgias”, explicou.

 

Em relação ao procedimento de internação, o secretário de Saúde esclareceu que o idoso só poderá ser internado no futuro Hospital do Idoso se for referenciado pelas unidades da rede. “A pessoa dará entrada num dos hospitais de portas abertas. Se houver necessidade de internação, será feito um protocolo e o paciente poderá ser transferido para o Hospital do Idoso, conforme seu perfil e mediante a referência do hospital de origem. O Hospital do Retiro, o São João Batista, Cais Aterrado, Cais Conforto e UPA são os que vão poder referenciar para internar. Só o que estiver referenciado via prefeitura de Volta Redonda é que vai ser atendido no Hospital do Idoso”, frisou Alfredo.

 

Ele vai além. Pretende atender 40 idosos mensalmente, incluindo os serviços de clínica médica. Porém, ressaltou que a prioridade de assistência do Hospital do Idoso será para os moradores de Volta Redonda porque o objetivo da iniciativa tomada pelo governo Samuca é exatamente “desafogar” os atendimentos nos demais hospitais municipais para oferecer um tratamento melhor à terceira idade da cidade do aço. Vale lembrar que, pelos cálculos das autoridades locais, existem mais de 70 mil pessoas com idade igual e superior a 60 anos na região. Ou seja, a maioria recorre aos hospitais voltarredondenses, o que acaba prejudicando a população de idosos de Volta Redonda, calculada em 24 mil pessoas.

 

Quanto ao questionamento se o número de leitos será suficiente para suprir a demanda, o secretário de Comunicação Social do Palácio 17 de Julho, Adriano Lizarelli – que acompanhou a entrevista de Alfredo ao aQui –, explicou que, na verdade, apenas haverá uma mudança: os idosos que ocupam os hospitais públicos tidos como ‘de portas abertas’ (que atendem emergências) é que serão transferidos para a nova unidade. 

Questão financeira

Quanto ao custo mensal do futuro Hospital de Idosos, Alfredo disse que já existe um valor estimado, mas que o mesmo ainda não está fechado. Ele também contou que existem projetos de utilização de recursos federal e estadual para ajudar no custeio da unidade, porém Lizarelli fez questão de garantir que a unidade não vai depender destes para funcionar.

 

Tem mais. Para abrir as portas da unidade, Alfredo pontua dois pontos favoráveis: os médicos que atenderão na Vila fazem parte da própria equipe da prefeitura e, portanto, não haverá contratações. “Pelo menos não inicialmente”, frisou. E a quantidade de profissionais dependerá da demanda. Além disso, também não foi preciso adquirir nenhum aparelho novo porque o prédio da São Camilo já contava com todos os ‘equipamentos’ necessários para cada tipo de atendimento que será oferecido. A única despesa será com a compra de novas camas hospitalares.

 

Tanto Alfredo quanto Lizarelli mencionaram os impostos (ISS – Imposto Sobre Serviços) da ordem de R$ 500 mil pagos mensalmente pelas empresas de ônibus como principal recurso a ser investido no hospital. “Prezo muito por dar um passo certo a cada dia. Não adianta dar um passo maior do que a perna. Procuro fazer as coisas bem calçadas, bem pé no chão. Eu não entro nessa de ficar gastando porque isso é perdição”, finalizou.

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.