Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 10 de Dezembro de 2019
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Publicado em 22/07/19, às 11:25

Atirando a esmo

“Estou trabalhando para ajudar quem me ajuda e atrapalhar quem me atrapalha”. A sentença saiu da boca de quem surpreendeu os voltarredondenses ao derrotar o grupo do ex-prefeito Neto nas eleições de 2016. De Samuca Silva que, em entrevista exclusiva ao aQui, decidiu falar abertamente sobre a possível candidatura de um dos seus novos aliados, o deputado federal Antônio Furtado, que o PSL pretende lançar como candidato a prefeito de Volta Redonda em 2020. “Eu o apoiei na campanha para a Câmara. Me surpreendi com a informação (da pré-candidatura)”, completou, referindo-se ao delegado. “Não somos inimigos”, disparou, mostrando ter esperanças que o parlamentar aborte o sonho do PSL de lançá-lo como futuro adversário.

 

Samuca foi além. Mandou recados para um adversário confesso, o ex-prefeito Neto. “Fiz um jantar na minha casa e reuni várias lideranças políticas da nossa cidade. Precisamos juntar quem tem o mesmo objetivo: o melhor para Volta Redonda e nosso povo”, pontuou, garantindo estar com sete legendas ao seu lado para caso decida concorrer à reeleição. “Ainda é cedo para falar de eleição. Isto atrapalha a governar e ainda tenho muito para realizar”, completou. 

Veja abaixo a íntegra da entrevista exclusiva de Samuca ao aQui:

aQui: Em entrevista a uma rádio, o senhor deu a entender que foi surpreendido com a informação de que o delegado Antônio Furtado, deputado federal do PSL, pode sair candidato a prefeito. O senhor não esperava por isso?

Samuca: Sempre vi como natural uma candidatura do (Antônio) Furtado a prefeito. Até porque o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, quer lançar candidatos em cidades com mais de 200 mil eleitores. Natural que escolham m o delegado Furtado como candidato. O que me pegou de surpresa foi ficar sabendo disso através de uma reportagem. Recentemente eu estive em Brasília e conversei sobre política com o deputado, que me disse não ser candidato. Tenho uma relação muito boa com ele, tanto que o apoiei na campanha para a Câmara Federal. Ele, eleito, fez questão de ir ao meu gabinete para conversar. Tenho pessoas amigas ao lado dele. É isso. Me senti surpreendido com a informação. Não somos inimigos, temos o mesmo objetivo: o melhor para Volta Redonda. Tenho certeza que vamos convergir para que Volta Redonda não volte ao passado. Algumas pessoas querem o Fla x Flu (Samuca x Furtado) na esperança de ser uma alternativa (Neto, grifo nosso) e tenho certeza, pelo que conversei com o Furtado, que ele está preocupado é com Volta Redonda, e não com o poder.

 

aQui: Mas o senhor disse que o delegado Antônio Furtado ainda precisa se credenciar para ser candidato. O que quis dizer com isso?

Samuca: Eu disse que, em termos de emendas parlamentares, nada foi enviado (por Furtado) para a cidade. Há a promessa, mas recursos mesmo não chegaram. E precisamos muito, pois estamos vivendo a pior crise financeira da história. Os municípios estão à míngua, com grandes dívidas e queda na arrecadação. Foi uma forma de gritar: precisamos de você!

 

aQui: O ex-prefeito Neto teve em Brasília o ex-deputado Deley de Oliveira como fiel escudeiro para buscar recursos para Volta Redonda. O senhor sente falta de ter um aliado de primeira hora assim em Brasília?

Samuca: De fato quando o ex-prefeito (Neto) esteve no Palácio 17 de Julho, o ex-deputado Deley mandou muitos recursos (para Volta Redonda). Depois, quando eu assumi, esses recursos diminuíram muito (de emendas parlamentares). Não sei por quê! Mas, hoje temos grandes aliados em Brasília, como o próprio delegado Antônio Furtado e outros parlamentares que apoiamos, como Alexandre Serfiotis, Christino Áureo, Vinicius Farah, Luiz Antônio, o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o deputado Luiz Lima, entre tantos outros.

 

aQui: O senhor ainda não diz abertamente que é candidato a reeleição. Por quê?

Samuca: Sinceramente, ainda acho cedo para falar sobre isso. Obviamente acho que quatro anos é pouco e que preciso defender nosso legado de gestão pública eficiente. Foi o nosso governo que controlou uma dívida bilionária; que em três anos pagou mais de R$ 100 milhões só de precatórios; manteve os serviços em dia e avançou, sem depender de recursos federais e estaduais. Controlando a dívida nós conseguimos avançar e os resultados serão cada vez mais visíveis à população. Lembro que já fizemos muito. Foi nesse governo que abrimos a Rodovia do Contorno, Restaurante Popular, a Clínica de Diálise, o Hospital Regional, o Hospital do Idoso, compramos o Hospital Santa Margarida, abrimos a Arena Olímpica, três unidades básicas de saúde da família, obras para melhorar o abastecimento de água em Três Poços e no Açude, internet nas escolas, licitação dos ônibus, entre tantos outros projetos. Esse legado precisa ser feito. Mas estou como prefeito e tenho que atuar junto de todos para melhorar nossa cidade. Por isso ainda é cedo para falar de eleição. Isto atrapalha governar e tenho muito para realizar ainda.

 

aQui: Como o senhor analisa as próximas eleições de 2020, acredita que a polarização entre direita e esquerda irá continuar?

Samuca: Acho que essa polarização não é boa nem para a cidade e nem para o País. Precisamos, como atores políticos, é de convergir, dialogar. Esse é o meu papel à frente da prefeitura: dialogar, sem extremos. Não precisamos de extremos. Já dei demonstrações claras que sou capaz de dialogar, tanto que temos no governo atuando tecnicamente pessoas que estiveram contra minha candidatura em 2016.

Recentemente também fiz um jantar na minha casa com várias lideranças políticas de nossa cidade. Precisamos juntar quem têm o mesmo objetivo: o melhor para Volta Redonda e nosso povo.

 

aQui: Muito se tem falado sobre mudanças na legislação para as eleições de 2020, como o retorno das coligações para eleições proporcionais e o voto distrital. Qual a opinião do senhor sobre essas mudanças?

Samuca:  Não vejo que exista tempo hábil para qualquer mudança. Acredito que esse pleito, sem as coligações para proporcional, será bom e vai fortalecer os partidos. Hoje nosso grupo tem sete legendas e estamos com cerca de 130 pré-candidatos já selecionados. Além disso, estamos estimulando muitas novas lideranças a concorrerem ao pleito. É importante a renovação na política. E todos aqueles que buscam o melhor para a cidade precisam disputar a eleição. Estou trabalhando para ajudar quem me ajuda e a atrapalhar quem me atrapalha. Provei que sei fazer isto na eleição do ano passado.

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