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Domingo, 21 de Outubro de 2018
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Publicado em 09/04/18, às 08:45

Assim na Terra como no Céu

Ele foi responsável por obras consideradas faraônicas, inúteis até quando as apresentou à população de Volta Redonda. Teve o governo manchado por denúncias de corrupção e um dos seus secretários acabou preso por suposto desvio de verbas e por comandar, na época, um grupo de extermínio – a famosa e temida “Kombi branca da Guarda Municipal”. 

 

Se foi polêmico como político, o ex-prefeito Wanildo de Carvalho não deixou de sê-lo nem quando morreu na madrugada de domingo, 1. Segundo informações divulgadas pelos familiares, ele teria sofrido um mal súbito na casa onde morava no Monte Castelo, em Volta Redonda. Foi encontrado horas depois, já morto. De acordo com outras fontes, o ex-prefeito teria morrido afogado na piscina da “Casa de Vidro”, onde estaria morando sozinho e em depressão.  

 

Wanildo, mineiro de Pequeri e arquiteto, completou 81 anos no dia 16 de março passado, e deixou dois filhos, um deles a ex-deputada estadual Wanúbia de Carvalho. A sua ascensão à prefeitura ocorreu em 1989, com a morte do então prefeito eleito Juarez Antunes, em um acidente de carro. Juarez – que ficou apenas 51 dias no cargo – era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, e estava cumprindo mandato de deputado federal quando foi eleito prefeito. Na viagem a Brasília para devolver o apartamento funcional, sofreu o acidente fatal, o que acabou levando seu vice Wanildo de Carvalho à chefia do Palácio 17 de Julho.      

 

Wanildo governou entre 1989 e 1993 e foi responsável por obras que causaram muita polêmica na época, entre elas o elevado da BR 393 que passa por cima da agência (fechada) dos Correios na Vila.  O ex-prefeito Paulo Baltazar, seu adversário, dizia que ‘o elevado de Wanildo ligava nada a lugar nenhum’. Na época, podia até ser verdade, mas hoje quem passa por ele reclama dos congestionamentos já frequentes e diários.

 

Wanildo também foi responsável pelo projeto da Biblioteca Municipal Raul de Leoni, na Vila. Aliás, segundo fontes ligadas ao assunto, o projeto original da biblioteca tinha vários defeitos, como as janelas muito baixas e um vão entre a parede e a estrutura metálica das fachadas, o que aumentava – e muito – o risco de quedas de crianças que frequentassem o lugar. A rampa de acesso também era muito inclinada, o que dificultava o acesso de cadeirantes e idosos. Diversas obras de adequação foram necessárias para deixar o local acessível e seguro. 

 

“Sua gestão como prefeito se caracterizou pela realização de várias obras públicas, muitas delas nascidas de desenhos seus elaborados numa prancheta que colocou no gabinete desde o início do governo. Coisa inédita e única. Despachava muitas vezes de sua na prancheta, fumando seu inseparável cachimbo, desenhando, redesenhando. Rabiscava as ideias e dava para os profissionais do IPPU desenvolverem a construção”, disse o também arquiteto Ronaldo Alves, que foi do secretariado de Wanildo.

 

Ronaldo Alves explica ainda que outra obra feita no governo Wanildo – o Memorial Zumbi – também é atribuída erroneamente ao ex-prefeito. “Atribuem a ele também o Memorial Zumbi, mas a concepção foi do arquiteto Selso dal Belo, que era seu secretário de Obras”, garante.

 

Wanildo também foi responsável pela construção da passarela metálica na Passagem Superior da CSN, do viaduto do Santo Agostinho, e lançou o Plano 2000, que previa diversas obras visando o futuro da cidade. Pouco saiu do papel no governo dele. “Do badalado Plano 2000 pouco ou nada foi assumido pelos sucessores, não se podendo dizer que tenha sido importante para a cidade”, avalia Ronaldo.

 

Na política, Wanildo sofreu com denúncias de corrupção de auxiliares muito próximos. Segundo alguns amigos, as obras do então prefeito buscavam pensar um futuro para Volta Redonda, com a iminência da privatização da CSN, e por isso o ex-prefeito podia ser considerado “um visionário”. Para os críticos, Wanildo sonhava alto demais com dinheiro público e era conivente com a corrupção em seu governo.

Mais um         

Volta Redonda também perdeu outro ex-prefeito. Na madrugada de terça, 3, morreu o ex-prefeito coronel Aluízio de Campos Costa, aos 92 anos. Aluízio governou a cidade do aço entre 1979 e 1982, durante a ditadura militar, tendo sido nomeado pelo então presidente João Baptista Figueiredo. Fiel ao estilo militar, Aluízio era “caxias” e teve dificuldade no relacionamento com os vereadores no início da sua gestão. Mas depois de fazer as pazes com o Legislativo, seu governo realizou obras importantes para Volta Redonda, como a criação do Zoológico Municipal onde então funcionava o Horto Municipal.

 

“Foi um governo curto, mas que se caracterizou pela continuidade das obras do antecessor, embora tenha produzido outras também importantes, como o Ginásio de Esportes da Ilha São João, a ponte sobre o Rio Paraíba na Avenida Lucas Evangelista, em Niterói, e o Parque Aquático na Ilha Pequena, ao lado da Ilha São João. Deixou também em andamento junto ao BNH o conjunto residencial Santa Cruz, depois conduzido pelo seu sucessor”, destacou Ronaldo Alves.

 

Foi graças ao governo Aluízio Costa que a Beira Rio foi toda urbanizada. O prefeito, inclusive, mandou plantar centenas de árvores em toda a extensão da avenida. Uniu o útil (evitar danos ao meio ambiente) ao agradável (plantar árvores nas duas margens do rio).

Aluizio era avô do atual prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, e morava no Rio de Janeiro.

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