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Sábado, 14 de Dezembro de 2019
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Publicado em 25/11/19, às 12:28

APP do feminicídio

Na segunda, 25, teremos mais um ‘Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher’. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2018, a cada dois minutos uma mulher recorre à Lei Maria da Penha por agressão. E a cada nove minutos, uma mulher é vítima de estupro, sendo que, a cada dia, três mulheres são vítimas de feminicídio, que correspondeu a 29,6% dos homicídios dolosos de mulheres em 2018. Destas, 65,6% estavam em suas residências. E em 88,8% dos casos, o agressor era o próprio companheiro ou o ex.

A Startup Rio 2019, uma iniciativa apoiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro, tem como uma de suas contempladas para desenvolvimento de iniciativas criativas a voltarredondense Caroline Vieira da Silva. Seu projeto, que recebeu apoio da Startup Rio, foi para o desenvolvimento de um aplicativo de auxílio a mulheres em situação de violência.

Quando o botão de pânico é ativado, o celular envia um SMS com a mensagem “fulana está solicitando sua ajuda” para duas “angels”, que podem ser amigas ou pessoas da família, com o link do Google e a situação da mulher em perigo. “Escolhemos o SMS porque para a mensagem ser enviada não depende do acesso à internet. E a mensagem vai para duas ‘angels’ para garantir que pelo menos uma receba”, explica Caroline.

Formada em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Caroline conta que sempre foi uma pessoa muito questionadora e inconformada com a crescente violência contra as mulheres, com exemplos entre pessoas da família e amigas. Outra característica da engenheira é seu lado empreendedor, que passou a se desenvolver depois de uma passagem por uma empresa de tecnologia. “Sempre pensei em soluções para mudar a vida das pessoas a partir do empreendedorismo social”, alega.

Sua ideia inicial era a criação de um aplicativo que reunisse mulheres interessadas em saírem juntas. Isso porque, durante a fase de pesquisa, num universo de 110 mulheres de 18 a 35 anos, 85% disseram que tinham medo de sair sozinhas à noite. E quando a pergunta foi “qual a estratégia adotada para driblar a insegurança?”, simplesmente a maioria disse que deixava de sair. Outras evitavam certos lugares e algumas buscavam sentar ao lado de outras mulheres, em ônibus, por exemplo. 

Hoje, novidades já estão sendo agregadas ao projeto, que, para Caroline, é uma cadeia de voluntárias que dispõem de seu tempo para colaborar e tentar reduzir a violência contra mulheres. Ela está negociando também com a prefeitura de Volta Redonda para que esse pedido de ajuda, além de ir para as duas “angels”, chegue também ao Centro Integrado de Segurança Pública do município, já que Volta Redonda mantém a Patrulha Maria da Penha, que faz rondas diárias nas residências de mulheres que estão com medidas protetivas ativas e a intenção é que o pedido de socorro chegue às viaturas também. Além disso, Caroline pretende integrar a essa rede de apoio o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam).

Diante da constatação de que 80% das mulheres agredidas em casa não denunciam seus agressores nem saem do lar por causa da falta de independência financeira, será criado o Angels Capacita. Em princípio, serão 12 diferentes cursos para ensinar culinária, corte e costura, artesanato, entre outros, para que essas mulheres vulneráveis possam ter uma alternativa de renda. Como uma das primeiras providências dos agressores é confiscar o celular da vítima, uma designer do grupo está desenvolvendo um acessório feminino (um pingente, por exemplo, que pode ser agregado a um cordão, aro de anel, broche etc) com o botão de socorro, o que daria mais segurança às usuárias.

“Creio que o nosso projeto é apenas uma ferramenta para iniciar a discussão deste assunto tão grave e urgente, cujo debate deve ser ampliado. É um passo importante para o nosso crescimento como mulher e para ampliarmos as discussões sobre a causa dessa cultura tão machista que, apesar das conquistas femininas, parece ter retrocedido no tempo por meio da agressão”, pondera Caroline.

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