Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 18 de Junho de 2019
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Publicado em 10/06/19, às 09:28

Anulada (parte II)

Quem acompanha a história (ou seria estória?) da eleição para o Sindicato do Funcionalismo Público de Volta Redonda esperava que a mesma fosse acontecer, apesar dos envolvidos, sem atritos ou polêmica. Ledo engano. Nem mesmo a ordem do Ministério Público do Trabalho para que a apuração da nova eleição, a segunda, fosse feita em local público foi acatada pelos sindicalistas.
É que antes que as cédulas chegassem à sede da Câmara de Volta Redonda – local escolhido pelo MPT para a contagem dos votos -, o caos já estava instaurado, sendo que representantes das três chapas concorrentes trocavam acusações de fraude, com direito a roubo da lista de votantes, o que provocou a anulação da eleição do Sindicato dos Servidores Públicos.
O arranca-rabo começou no hall do Palácio 17 de Julho, onde havia uma urna fixa e grande fluxo de eleitores. Conforme vídeo feito por apoiadores da chapa 2, encabeçada por Ronaldo Rodrigues, um mesário da chapa 1, identificado como Thiago Rios, diretor do sindicato do funcionalismo de Angra dos Reis, se apossou da lista de votantes, recusando-se a entregá-la ou apresentá-la aos fiscais. “Eu fiz o que a Polícia mandou. A lista não sumiu, está comigo. Vou devolver na mão da comissão”, argumentou o mesário, quase linchado pelos sindicalistas presentes.
Tudo aconteceu sob os olhos da Guarda Municipal e da Polícia Militar, acionada por integrantes da chapa 2. E teria sido justamente a participação dessas forças de segurança o estopim para o imbróglio. De acordo com Luiz Eduardo, assessor de marketing do Sindicato, a comissão eleitoral não achou pertinente a intervenção da GM por esta ser subordinada à prefeitura de Volta Redonda. “Entenderam que houve intervenção indevida por parte da empregadora (prefeitura) até porque a Guarda Municipal é subordinada ao município. Mais de 50% dos votos foram comprometidos por falta de isenção sindical. Então a comissão anulou a eleição com anuência das chapas 1 e 3. Não houve acordo com a chapa 2”, explicou Luiz Eduardo.
Ao discordar da anulação, membros da chapa 2 argumentaram que a participação da GM teria sido determinada pelo Ministério Público do Trabalho. Pelas redes sociais, Ronaldo afirmou que a implicância com a presença dos GMs teria sido, na verdade, uma desculpa para que as demais chapas conseguissem anular a eleição. “BOMBA! Membros da Chapa 1 e da Chapa 3 juntos na CTB. ATAÍDE DE OLIVEIRA e LUIZ FERNANDO sempre estiveram UNIDOS contra a categoria!! Ontem mais um CRIME praticado pela quadrilha que ocupa o nosso Sindicato! A Comissão Eleitoral com maioria dos membros indicados por Ataíde ANULOU novamente a eleição! Um dos indicados do presidente ATAÍDE descumpriu a determinação do Ministério Público do Trabalho e furtou listagens de votação, saiu em disparada com o próprio carro e bateu em dois locais até ser pego! O objetivo era provocar a anulação! Lacres das urnas também foram novamente violados!”, denunciou o candidato.
Luiz Fernando se defende e garante que nem estava sabendo da participação da GM até a confusão se instaurar. “Fiquei sabendo disso só mais tarde. O que me fez concordar com a anulação mais uma vez foi a falta de paridade entre as chapas. Nossos candidatos não tiverem liberação da prefeitura como aconteceu com os outros. Além disso, pedimos, via abaixo-assinado, que tivesse urnas itinerantes nas escolas, pois elas concentram muitos sindicalizados que não podem deixar as salas de aula para votar. Mas a chapa 2, do Ronaldo, não aceitou. E o MPT não está levando em consideração nossas reivindicações, apenas da chapa 2”, reclamou.
Outro motivo que pode ter provocado o desgaste entre os concorrentes e, por conseguinte, a anulação da eleição, foi o local da apuração. Luiz Fernando alega que a Câmara foi escolhida de forma unilateral, apenas com anuência da chapa 2. “Eu pelo menos não fui avisado que seria na Câmara (a apuração)”, disse o sindicalista, explicando que parte dos mesários levou as urnas para a sede do Sindicato. “Lá eles não estavam deixando subir”, reclamou.
O assessor de marketing do sindicato explicou que o caso foi levado à Justiça do Trabalho e caberá a ela dar a palavra final sobre o imbróglio, que mais parece uma novela mexicana. Para Luiz Fernando, por exemplo, só haverá lisura se todas as chapas tiverem igualdade de tratamento. “Sou a favor que se recomece tudo do zero. Que as chapas tenham direito a indicar a mesma quantidade de fiscais, mesários e integrantes da comissão eleitoral. E que tudo seja decidido em conjunto. Está sendo uma luta de Davi contra Golias”, pontuou.
O problema é que os sindicalistas parecem cansados de tantos capítulos. “Toda vez a gente sai para votar, se desgasta e a eleição é anulada. Está uma confusão muito grande. Ninguém vai querer votar de novo”, disse um deles. “Eu não sei se voto de novo caso marquem novas eleições”, afirmou outro.
Quem pode se dar bem com a lenga-lenga é Ataíde, que continuará governando o Sindicato de forma interina até que tudo se resolva definitivamente. Se depender da clássica morosidade da Justiça, é bem provável que o sindicalista, forçado a convocar novas eleições por ser acusado de fraude em assembleia, encerre 2019 à frente da instituição. Vale lembrar que seu mandato estendido terminaria em 2020.
Procurada para esclarecer a postura da GM, a prefeitura de Volta Redonda limitou-se a mandar uma curta nota dizendo que cumpriu a determinação fixada pelo Ministério Público do Trabalho, através do ofício 4968.2019 de 30 de maio, assinado pela procuradora do Trabalho, Vanessa Martini. “O ofício determinava que a GMVR acompanhasse as eleições do Sindicato dos Servidores Públicos de Volta Redonda, no dia 04/06/2019, fazendo o recolhimento das urnas após o encerramento da votação e fazendo a sua entrega no local definido, à comissão eleitoral, e assim foi feito”, diz a nota.

Outra novela

Os trabalhadores da CSN, como sempre acontece, rejeitaram a primeira proposta da empresa para a renovação do acordo coletivo 2019/2020. A votação aconteceu na quarta, 5, na Praça Juarez Antunes, na Vila, e 3.925 funcionários disseram ‘não’ à oferta da CSN de reajustar os salários em 3,5% retroativos a maio. O mesmo percentual foi oferecido para o cartão-alimentação e o auxílio-creche. A proposta foi apresentada ao presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, na segunda, 3, que chegou a dizer que iria sugerir aos trabalhadores a sua reprovação. Segundo Silvio, o INPC acumulado chegou a 5,5%.

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