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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Publicado em 14/05/18, às 08:29

Alfinetadas de branco

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Luiz Vieira

A semana foi recheada de discursos, ironias, acusações, desmentidos e falsas promessas. Tudo relacionado ao despejo do grupo Vita que, por ordem judicial, terá que sair de mala e cuia das dependências do imóvel onde funcionava o antigo Hospital Siderúrgica Nacional nos tempos em que a CSN era uma empresa estatal. Privatizada, a unidade foi alugada a empresários de São Paulo, que nela ficaram por 10 anos, sem pagar um tostão pelo aluguel do prédio, equipamentos etc. Quando a moleza acabou, um aluguel de R$ 350 mil (proposto pelo próprio Grupo Vita diante do juíz) deveria ser pago todo mês à siderúrgica. Não foi. Os atrasados já chegam a R$ 60 milhões.

 

Na segunda, 7, por exemplo, aconteceu a reunião na Câmara de Volta Redonda, pedida por representantes dos médicos. Dos convidados a dar apoio ao movimento contra o fechamento da unidade, só o bispo não apareceu. Nem mandou representante. Se mandou, o mesmo não se apresentou ao cerimonial da Casa. Só que o grupo Vita chiou por não ter sido convidado ao ato apolítico-político. E fez questão de enviar seu protesto aos jornais da cidade. 

 

“O Grupo Vita lamenta profundamente não ter sido convidado para participar da sessão especial na Câmara Municipal de Volta Redonda que discutiu, nessa segunda-feira (07), a situação do Hospital Vita”, escreveu o vice-presidente da empresa, Francisco Balestrini. Ele foi além. “Desde o início, estamos exatamente comprometidos com uma passagem de bastão sem traumas. Nós já fizemos pelo menos quatro propostas de soluções não aceitas pela CSN”, afirmou Balestrini procurando amenizar as críticas contra o Vita.

 

Segundo Balestrini, todos os envolvidos deveriam estar comprometidos em não deixar o Sul Fluminense desassistido. “Nós sabemos que a população está aflita em relação ao que vai acontecer. Até porque o hospital, sob a administração do Grupo Vita, tornou-se uma referência em atendimento”, destacou. “A unidade realiza 7.800 internações por ano e 4.880 cirurgias, além de 144.000 atendimentos ambulatoriais”.

 

A versão foi contestada, não na reunião ‘apolítica-política pró Vita’. Foi depois dela e coube a uma fonte da CSN, que pediu anonimato, contestar o ‘lado bonzinho do Vita’. “Ele (Balestrini) é um cara de pau. Agora, após as coisas terem ido para o brejo, ele compareceu à CSN para apresentar propostas que não contemplam os valores devidos (R$ 60 milhões). Foram todas sumariamente rejeitadas. Por que nunca depositou em juízo? Por que nunca fez proposta de acordo no processo?”, ironizou.

 

Ela foi além e reforçou o que pensa a direção da siderúrgica. “A CSN está em negociação para que um novo grupo assuma a administração do antigo Hospital Vita. Infelizmente, o Vita ficou oito anos sem pagar aluguel pela ocupação do prédio que utilizava comercialmente. O processo de despejo durou quatro anos, em todas as instâncias. Nesse tempo, o Vita jamais procurou a CSN para apresentar uma proposta consistente de pagamento dos valores devidos”, disparou. “Foram totalmente irresponsáveis com as consequências de seus atos”, pontuou.

 

Seguindo a fonte, o grupo Vita São Paulo teria deixado de recolher os valores dos aluguéis e, ao invés de depositar tudo em juízo para um eventual acordo, teria optado por transferir o dinheiro para o exterior. “Eles retiraram milhões do hospital de Volta Redonda para a matriz em São Paulo, sequer cogitando usar esses valores, ou parte deles, para pagamento de suas obrigações’, denunciou. “A situação parece ser irreversível”, disparou, dando a entender que não deverá haver mais nenhum acordo com o Vita. “O que devemos fazer é garantir que a nova gestão melhore o hospital e o atendimento à população”, acrescentou.

 

A fonte aproveitou para deixar claro que a CSN está nos seus direitos de cobrar R$ 60 milhões que o grupo Vita lhe deve. E espera que tudo termine rápido, e bem.  “A CSN deseja uma transição rápida. Deseja que o novo empreendedor, dentro do possível, aproveite o corpo clínico e médicos do hospital em Volta Redonda”, pontuou, assumindo pela primeira vez o nome da Unimed como uma das empresas que pretendem assumir o antigo Hospital Siderúrgico Nacional. “Sim, a Unimed está no páreo”.

 

Posição de Samuca

Atacado por uns, criticado por outros que esperam pelo funcionamento do antigo Hospital Santa Margarida, ainda fechado mesmo tendo sido comprado, o prefeito Samuca Silva assumiu o risco de informar que teria feito uma proposta ao empresário Benjamin Steinbruch pelo Vita. ‘Nada de comprar’, frisou. Apenas de gerenciar o hospital até que tudo se resolva. “Mesmo se tratando de duas empresas privadas (CSN e Vita, grifo nosso), a prefeitura tem o maior interesse que essa questão se regularize o quanto antes, até porque, mesmo se tratando de atendimento para planos privados, o encerramento das atividades do Hospital Vita certamente terá reflexos nas estruturas da Saúde Pública de Volta Redonda. Não há, nesse caso, interesse do município, de adquirir esse hospital”, destacou a secretaria de Comunicação do prefeito Samuca Silva.

 

Logo a seguir, seus assessores revelaram a proposta que o prefeito teria feito à CSN (não confirmada, é bom que se diga): “O que há por parte do município é a preocupação com a saúde da população de Volta Redonda e também com os empregos dos mais de 500 profissionais da área da saúde que prestam serviços ao Vita. Tanto sociedade quanto os funcionários têm que ter seus direitos e postos de trabalho preservados”, justificou, para completar: “O prefeito Samuca Silva ofereceu para que o município assuma as operações médicas hospitalares, somente durante o período de  transição entre a saída do Vita e a efetiva instalação da nova empresa”.

 

A equipe de Samuca aproveitou para lembrar publicamente que o Hospital Vita tem dívidas, como o aQui noticiou na semana passada, parceladas com o Palácio 17 de Julho. Algumas devidamente inscritas na Dívida Ativa do município, “que giram em torno de R$17 milhões’, destacaram, ressaltando, porém, que parte desse valor estaria em discussão.

 

Para encerrar a discussão política sobre o despejo do grupo Vita, o presidenciável Ciro Gomes, em campanha, esteve na cidade do aço na manhã de quarta, 9, e na sede do Sicomércio fez uma palestra para empresários, eleitores e amigos da CSN, onde trabalhou como diretor da siderúrgica por um bom tempo. O pré-candidato do PDT prometeu que vai tentar evitar o fechamento do hospital.

 

Depois da palestra, Ciro Gomes, acompanhado por pedetistas locais, como o vereador José Augusto e o ex-vereador Paulo Baltazar, visitaram o prefeito Samuca Silva e o assunto Vita, segundo uma fonte, também teria sido abordado. Baltazar, que é médico, confirmou a Samuca que é pré-candidato a deputado estadual. José Augusto também é pré-candidato a deputado federal.

 

“Como prefeito do maior município do Sul Fluminense, recebi Ciro Gomes, Carlos Lupi, Baltazar e o José Augusto, para ouvir e ser ouvido sobre propostas positivas para a sociedade. E, assim, farei com todos que nos procurarem. Temos que esquecer questões partidárias, dar as mãos, e pensar juntos como enfrentar a crise”, destacou Samuca Silva.

 

Ciro Gomes falou da importância de Volta Redonda para o desenvolvimento do país. “Aqui é o berço da industrialização moderna do país. Tenho apreço por Volta Redonda e já trabalhei na CSN. Fico admirado como um prefeito tão jovem sabe administrar tão bem uma cidade como Volta Redonda”, ressaltou o presidenciável.

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