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Domingo, 30 de Abril de 2017
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Publicado em 24/10/16, às 11:16

Ajudando a ajudar

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A crise financeira do governo do Estado não atinge apenas as forças de segurança diretamente ligadas ao Palácio Guanabara. O Disque Denúncia, que se tornou um sucesso no Rio de Janeiro, está na pindaíba desde 2015, quando a instituição, sem fins lucrativos, que opera com contribuições de empresas e entidades, corria o risco de suspender as atividades e, através de uma campanha, solicitou ajuda à população. Na época a ‘vaquinha’ deu certo e o projeto seguiu adiante. Com objetivo de continuar driblando a crise, o Disque Denúncia pede novamente a ajuda direta da população. A contribuição é livre, ou seja, cada um doa o quanto puder.

 

Em parceria com a Agência 11:21, foi criada uma campanha que começou a circular na quarta, 19, na internet e nos próximos dias, em rádio e televisão, jornais e mobiliário urbano com espaço doado por veículos de comunicação, com o mote ‘O Rio de Janeiro precisa do Disque Denúncia e o Disque Denúncia precisa de você’. A expectativa é de que a campanha seja compartilhada pelos internautas e ajude a aumentar o número de doações. Os filmes foram produzidos pelas produtoras de filme Pixel e de som Nova Onda, além da gráfica MPV7.

 

Durante o início da crise econômica no Estado, a participação e ajuda da população foi fundamental. A instituição adotou um processo de contingenciamento, reduziu a carga horária de trabalho em 25% e houve diminuição no volume de recompensas. Com a participação da população e dos empresários, o Disque Denúncia conseguiu os recursos necessários para continuar operando até agora.

 

Para o criador do Disque Denúncia, Zeca Borges, há 21 anos o apoio da população vem sendo fundamental no combate à violência. E neste momento mais uma vez ele espera que as pessoas façam a diferença. “O Disque Denúncia é o canal de exercício de cidadania e de integração entre a população e as autoridades. Estamos sem recursos, mas não podemos desistir da nossa causa. Temos contado com ajuda de empresas e entidades, mas se a população acha que nosso trabalho é fundamental para o combate ao crime e à violência no Rio de Janeiro, gostaríamos de pedir mais uma vez que doassem o que puderem para nos ajudar na manutenção de nossos serviços, colaboradores e programas. Estamos sobrevivendo, mas ainda precisamos da sua ajuda”, comentou Zeca Borges.

 

No último ano, o Disque Denúncia recebeu mais de 107 mil denúncias de todos os tipos de crimes. Com essas informações recebidas pelo Disque Denúncia, a polícia conseguiu localizar um dos bandidos mais procurados do Estado, o “Fat Family”, morto durante operação policial em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Além dele, o Disque Denúncia, com informações repassadas à polícia, ajudou na captura de outros perigosos traficantes, como ‘Elias Maluco’ (assassino do jornalista Tim Lopes), o ‘Peixe’, então líder do tráfico na Vila Aliança, ‘Fu’ e ‘Claudinho da Mineira’, além do ‘Playboy da Pedreira’, que acabou morto em confronto com a polícia.

 

Entrando na era tecnológica, o Disque Denúncia passou a contar também com um aplicativo para que a população realize, de forma anônima, denúncias pelo smartphone, incluindo fotos e vídeos. O aplicativo pode ser baixado nas lojas virtuais da Apple Store e Google Play.

 

Em 21 anos, mais de 2 milhões de denúncias levaram a polícia a apreender mais de 5 mil armas, mais de 15 mil quilos de drogas, além de recuperarem cerca de 5 mil veículos roubados. O Disque Denúncia ainda conta com um núcleo que recebe informações sobre crimes ambientais, o Linha Verde, um núcleo de violência doméstica (que cuida especificamente de informações relativas a idosos, mulheres e crianças) e o núcleo de Desaparecidos. Segundo Borges, a chave do sucesso do serviço para ajudar a polícia a desvendar crimes é a informação diária. “Não se pode ter um policial em cada esquina, mas em cada esquina tem um cidadão que pode nos informar de um crime”, pontuou Zeca Borges, idealizador do projeto.

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