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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Publicado em 11/12/17, às 08:25

Agora é do povo!

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Roberto Marinho

A Rodovia do Contorno, que foi batizada antes mesmo de ser inaugurada com o nome do ex-prefeito Nelson dos Santos Gonçalves, não tem mais pai, nem mãe. Muito menos padrasto ou madrasta. Não é mais do governo do Estado, da União ou do Palácio 17 de Julho. Finalmente, 23 anos depois de ser iniciada, ela foi entregue na manhã de ontem, sexta, 8, a quem de direito: à população de Volta Redonda, que espera ficar livre do trânsito de cerca de 10 mil caminhões por dia no centro da cidade do aço.

 

No final da manhã de ontem, sexta, 8, de céu nublado, São Pedro ajudou o suficiente para que o helicóptero com o governador Luiz Fernando Pezão e o ministro Moreira Franco descesse em Volta Redonda, para, ao lado do prefeito Samuca Silva e várias autoridades, entregar a obra mais demorada e cara que se tem notícia na região. Custou exatos R$ 104 milhões.

 

A crise de ciúmes que tomou conta dos envolvidos nas últimas semanas – com direito a troca de farpas publicamente – perdeu lugar no palanque oficial, montado nas proximidades do trevo da Fazendinha, para a felicidade (e, claro, alívio) das autoridades de liberar ao trânsito a obra mais esperada da história da cidade do aço. Envolveu, para quem não sabe, as administrações dos prefeitos Paulo Baltazar, Neto, Gotardo e, por último, Samuca Silva.   

 

Samuca, aliás, fez questão de dizer que a Rodovia do Contorno “tem pai”. Ou melhor, pais. “Vim conversando com o governador Pezão e disse: pai é quem cria, não é, governador? E essa rodovia tem pai: é Pezão, é Samuca Silva, é José Iran. Nós efetivamente tivemos a oportunidade de colocar mais um tijolo na construção da obra”, disse o prefeito, frisando que inaugura a Contorno no seu 340º dia de mandato.

 

Samuca afirmou ainda que o maior mérito do seu governo foi reunir todos os entes responsáveis pela obra. “O maior mérito desse governo foi, junto com o governo do Estado, reunir todos os órgãos para discutir a conclusão da rodovia”, justificou Samuca que, ao ver o ex-prefeito Neto na plateia, o chamou para o palanque, para ficar ao seu lado. Um pouco atrás, a bem da verdade. Além de Neto, Gotardo e Baltazar também foram convidados a prestigiar o nascimento do ‘filho bonito’. Baltazar, que é médico, estava de plantão em Quatis e foi representado pela mulher, a ex-vereadora Marri Baltazar.

 

Com 13,4 quilômetros e R$ 104 milhões em recursos públicos consumidos (de acordo com a conta do atual secretário de Estado de Obras, José Iran Peixoto), a rodovia também abre espaço para o desenvolvimento da cidade, como frisou o governador Pezão em seu discurso. “Essa estrada é importante para a região, não só para Volta Redonda. É um novo Eldorado para o momento em que o país – se Deus quiser – voltar a crescer, a se expandir, não só com moradias, mas também com empresas, indústrias, porque Volta Redonda sempre teve esse problema (de falta) de área”, disse.

Pezão também falou que, após a obra ter sido repassada para o governo do Estado pelo presidente Lula, ele teria tido muita dificuldade para a liberação de recursos. No momento mais “delicado” da cerimônia – o suspense ficou no ar –, ele destacou o papel do então secretário de Estado de Obras, Hudson Braga, e do deputado estadual Edson Albertassi. “Eles venceram as dificuldades, e eu não deixo de fazer nenhum registro. Foram as pessoas que tiraram do papel, que enfrentaram a burocracia”, afirmou.

Pezão também tentou colocar panos quentes na ciumeira sobre a “paternidade” da Contorno. “Cada um botou seu tijolo aqui, não tem pai da obra. O importante é que estamos entregando, o importante são os 9, 10 mil caminhões que vamos tirar do centro de Volta Redonda”, pontuou.

 

O ministro Moreira Franco fez questão de destacar a presença do ex-deputado (atual suplente) Nelson Gonçalves e da ex-secretária de Educação do governo Neto, Therezinha dos Santos Gonçalves, a Tetê, que, ao lado do irmão Ricardo, representaram a família na cerimônia. O pai deles, o ex-prefeito Nelson dos Santos Gonçalves, batiza a rodovia. “É uma lembrança muito merecida, porque ele sempre foi um grande batalhador por Volta Redonda”, justificou.

 

Moreira também lembrou que em 1995, quando era deputado federal, chegou a visitar a rodovia, já parada na época por conta de embargos ambientais, que ele criticou. “Não importa que a obra esteja parada, se a população está sendo afetada. O que importa é a manifestação de poder. Eles (órgãos ambientais) fazem o próprio calendário”, pontuou, adiantando que o programa ‘Avançar’, do governo Federal, vai destinar mais de R$ 100 bilhões em recursos para outras 7 mil obras que estão paralisadas por questões burocráticas.

Em operação

Uma dúvida que corria entre todos os que estavam na inauguração era se a rodovia seria aberta imediatamente. Motivo: temiam que pudesse ocorrer o mesmo que aconteceu quando da ‘inauguração’ do Hospital Regional, no final do ano passado e que permanece fechado até hoje. Sorte é que tanto Samuca quanto Pezão frisaram que a Contorno poderia ser usada já. “Essa estrutura aqui (palanque e toldos) vai ser desmontada e a rodovia será aberta para o trânsito”, explicou Pezão ao microfone, quando a cerimônia já havia sido oficialmente encerrada.

 

Aliás, sobre a operação da Contorno, Samuca afirmou que a segurança – outra preocupação dos moradores presentes – ficará a cargo da Polícia Rodoviária Federal. “Que já foi comunicada”, disparou o prefeito, salientando que no trecho urbano da BR-393, a Guarda Municipal terá alguma atuação. É que, segundo ele, o trecho da Lúcio Meira que passa por Volta Redonda será entregue ao governo do Estado, e posteriormente deverá ser municipalizado, com um convênio que está sendo costurado.

 

Segundo Samuca, a partir daí o trânsito dos caminhões poderá ser restrito. “A partir do momento em que estivermos (município) de posse desse trecho urbano, teremos o planejamento estratégico para restringir o acesso, em determinados horários, de certos tipos de veículos”, afirmou.

Pezão: “Hospital Regional começa a funcionar no início de 2018”

Ao que tudo indica, as preces para Santa Rita de Cássia – advogada das causas impossíveis – já foram ouvidas, e o governador Pezão aproveitou a cerimônia de inauguração da Rodovia do Contorno para anunciar que ontem, sexta, 8, sua equipe já tinha tornado público o edital necessário para que o Hospital Regional possa funcionar no início do ano que vem. “Acredito que no mais tardar no início de fevereiro o hospital comece a funcionar com um moderno centro de imagens para a região, e também com 10 a 20 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)”, prometeu.

Para isso, diz Pezão, ele estaria conversando com o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, para que seja aberta uma universidade ao lado do Hospital Regional, oferecendo vagas de Medicina e Enfermagem. “Estamos trabalhando junto ao Ministério da Educação e ao presidente Michel Temer para levar esse apelo. Queremos lançar logo esse edital”, afirmou, mostrando que sua colocação a respeito de abrir a unidade logo no início de 2018 pode ser apenas um desejo.     

Provocado a falar sobre o custeio do futuro hospital, já inaugurado, Pezão disse que ele será dividido entre os governos federal, estadual e os municípios da região (que vivem à míngua, grifo nosso). “É um hospital regional, acho que se todos os três entes se derem as mãos – como foi feito aqui (com a Rodovia do Contorno) –, a gente avança muito”, afirmou. Que Santa Rita de Cássia o abençoe, é o que esperamos.

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