Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019
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Publicado em 17/12/18, às 08:28

‘A saúde vai bem, obrigado’

Na próxima quarta, 19, uma OS de Catanduva, interior de São Paulo, envolvida em vários processos na Justiça paulista, e ainda no Rio de Janeiro, vai assumir, como o aQui divulgou com exclusividade em sua página do Facebook, a administração do Hospital do Retiro. O contrato firmado pela secretaria de Saúde de Volta Redonda com o Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Ghandi é de 24 meses e o município prevê gastos da ordem de R$ 94 milhões (R$ 94.012.358,64), o que corresponde a uma média mensal de despesas de cerca de R$ 4 milhões.

Entre os motivos para terceirizar o atendimento do Hospital do Retiro, que possui 109 leitos e é o segundo hospital público em importância em toda a região, o prefeito Samuca Silva se baseou em uma determinação da Justiça, através de uma ação movida pelo Ministério Público, exigindo que o Palácio 17 de Julho pare de contratar funcionários através do sistema de RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), o que sempre foi uma prática corriqueira, desde os tempos dos ex-prefeitos Gotardo e Neto, entre outros. “Firmamos o compromisso de terminar com os RPAs na cidade”, garante Samuca.

Em entrevista exclusiva ao aQui, Samuca vai além. Garante, ao contrário do que seus adversários preconizam, que a OS Mahatma Ghandi não estará assumindo – no dia 19, quarta – a administração do Hospital São João Batista. Muito pelo contrário. “O edital de terceirização do São João Batista ainda está sendo elaborado”, justificou, prevendo que a concorrência seja levada a cabo no primeiro trimestre de 2019. Detalhe: a OS Mahatma Gandhi também poderá participar do processo licitatório.

Samuca revelou ainda que conhece os problemas envolvendo a OS Mahatma Gandhi, mas diz que isso não o assusta. E deu uma grande notícia para os mais de 10 mil servidores públicos de Volta Redonda. O Hospital Santa Margarida (HSM), comprado pelo Palácio 17 de Julho e prestes a ter dois andares atendendo ao público, terá um andar inteiro só para o atendimento dos servidores voltarredondenses. Samuca abordou ainda a situação do Hospital do Idoso.

Veja a seguir a entrevista com o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva:

aQui: Quando o senhor vai abrir os dois primeiros andares do Santa Margarida? Quais serão os andares, quantos leitos serão disponibilizados e o que vão oferecer? 

Samuca: A aquisição do Hospital Santa Margarida, por parte do munícipio, demonstra nossa prioridade, que é a saúde pública. Vamos apresentar na próxima semana o cronograma para ocupação do Santa Margarida. Em um primeiro momento, a tendência é que possa utilizar os dois primeiros andares. Vamos apresentar um grandioso projeto.

 

aQui: Quantos médicos e funcionários serão deslocados para o HSM? Vão atender 24 horas? O HSM terá emergência?

Samuca: Em um primeiro momento, o Hospital Santa Margarida não será unidade de urgência e emergência, já que temos outras unidades de saúde com esse objetivo, como o Hospital São João Batista e o Hospital do Retiro. Queremos aproveitar, na primeira fase, os leitos para internação, atendimentos ambulatoriais e outros serviços, como de imagem. Vamos trazer serviços que são executados fora de Volta Redonda. Outra novidade é que teremos um andar do HSM exclusivo para atendimento de servidores públicos.

 

aQui: Já tem previsão de quando vai abrir novos andares? 

Samuca: Estamos realizando um plano de ocupação consistente do Hospital Santa Margarida. Não vamos abrir o hospital a toque de caixa, atrapalhando dessa forma sua operação no futuro. Esse não é um projeto de governo, é um projeto de saúde pública da cidade. Queremos chegar até o final de 2020 com mais da metade do hospital sendo utilizado.

 

aQui: A ocupação, mesmo que gradual do HSM, significa que a prefeitura pretende mesmo sair do HSJB? Por quê? 

Samuca: Isso ainda não está definido. O Hospital Santa Margarida, vale lembrar, é de mais fácil acesso do que o Hospital São João Batista. Mas o HSJB é referência em urgência e emergência, por isso não estamos com pressa para definir essa questão. Outro ponto importante é que o espaço físico do HSJB é alugado, temos que pagar aluguel para utilizá-lo. Hoje, o Santa Margarida é nosso.

 

aQui: Na edição desta semana mostramos que o atendimento do Hospital do Retiro cresceu 30% desde que a unidade passou a atender pessoas que procuravam o São João Batista e foram encaminhadas para ele. Foi uma estratégia passar mais serviços para a OS que assumirá o Retiro no dia 19? Por quê?

Samuca: Não foi estratégia. As mudanças no atendimento do Hospital São João Batista foram feitas antes da mudança na gestão do Hospital do Retiro. O Hospital São João Batista é de urgência e emergência; é feito para salvar vidas em risco, grandes traumas, e problemas mais complexos. Buscamos desafogar os atendimentos nesta unidade, de casos mais simples, levando-os para os Cais do Aterrado e Conforto, além do Hospital do Retiro. O que buscamos, e tivemos sucesso, é que o Hospital São João Batista fosse referência nos atendimentos de alta complexidade. Hoje já funciona dessa forma: entre um atendimento grave e um classificado como ‘verde’, a prioridade já é a urgência. Estamos redirecionando os atendimentos para dar eficiência aos atendimentos nas unidades.

 

aQui: Todos os RPAs do Retiro já foram demitidos para que possam ser admitidos na OS? Haverá redução no quadro de funcionários, incluindo médicos? Os salários via RPA e os da OS terão alguma alteração para mais ou para menos? De quanto?  

Samuca: Essa transição já começou, e a OS assume, em definitivo, no dia 19 a gestão do Hospital do Retiro. Mas, seguindo a lei federal, a OS irá realizar um processo seletivo para contratação de sua mão de obra.

Vale destacar que a contratação por RPA é irregular. Esse profissional não tem direito a férias, 13º salário e outros benefícios trabalhistas. Estamos corrigindo essa distorção. Firmamos o compromisso de terminar com RPA na cidade. E a contratação, por processo seletivo, demonstra que não estamos fazendo política com a saúde do município.

 

aQui: As contratações via OS serão indicadas pelo Palácio 17 de Julho? É a Márcia Cury quem ficará responsável por essa ‘ponte’? Ou será o Alfredo Peixoto? 

Samuca: Não, as contratações serão feitas através de processo seletivo já anunciado pela OS que vai assumir a gestão do hospital. Márcia Cury ocupa um papel importante nessa transição e o Alfredo Peixoto é a autoridade máxima de Saúde no município.

 

aQui: O Palácio 17 de Julho pesquisou bem o passado e o presente dessa OS que vai assumir o Retiro? O que tem a dizer do que levantou?

Samuca: Todo o processo de contratação foi público, tendo sido acompanhado pela secretaria de Saúde, Controladoria Geral do Município e Conselho Municipal de Saúde. Fizemos tudo de forma transparente e pública, de acordo com orientações públicas do Ministério Público.

 

aQui: Nas redes sociais e em alguns veículos de comunicação nota-se que muitos estão sendo levados a crer que a OS do Retiro também vai atuar no HSJB. É verdade ou não tem nada a ver?

Samuca: Para a gestão do Hospital São João Batista será feito outro edital de contratação. Óbvio que, se participar do pleito, a OS que atuará no Retiro pode ganhar. Mas o que acontecerá será um novo processo licitatório.

 

aQui: Quando será feita a concorrência para a contratação de uma OS para o HSJB e também para o Santa Margarida? Ou será uma apenas para as duas unidades? 

Samuca: Iremos lançar o edital para o São João Batista no primeiro trimestre do próximo ano. No Santa Margarida não há planejamento para ter OS, já que será um hospital de portas fechadas, privilegiando os moradores de Volta Redonda.

 

aQui: Valeu a pena investir na São Camilo e criar o Hospital do Idoso? Quantos leitos existem e qual a taxa de ocupação?

Samuca: Valeu e muito. Tenho muito orgulho de ter criado o primeiro hospital 100% para atendimento de idosos no Rio de Janeiro. São ao todo 30 leitos e a taxa de ocupação é quase completa. Em pesquisas internas, temos no Hospital do Idoso quase que 95% de satisfação. Outro fator importante é que o Hospital do Idoso é exclusivo para pacientes de Volta Redonda.

 

aQui: O prédio do Hospital do Idoso poderá ser devolvido e o atendimento poderá ser transferido para o Santa Margarida? Quando?            

Samuca: Isso não irá acontecer, já que o Hospital do Idoso está consolidado, com grande satisfação dos pacientes atendidos na unidade. O que precisamos é aumentar o número de leitos na cidade e é o que vamos fazer.

aQui: Depois de dois anos no cargo, como o senhor analisa a Saúde de Volta Redonda: piorou, estacionou ou melhorou? O que o leva a crer nisso, caso pense que melhorou? 

Samuca: Estamos avançando, tivemos inúmeras conquistas. Somente em 2017, investimos cerca de R$ 200 milhões na Saúde, quando a média era quase metade desse investimento. Quando assumimos, tínhamos uma demanda reprimida de 71 mil exames na fila e conseguimos reduzir para 25 mil, fora a demanda normal. Só de raio-x, nós tínhamos uma fila de espera de 33 mil, hoje temos 5,5 mil pessoas na fila. Tínhamos também um problema grave de vitrectomia e hoje não temos mais. Temos licitada uma clínica onde levamos os pacientes de Volta Redonda e por um preço muito menor do que era pago. Estamos trocando os profissionais de RPA pelos concursados. Já convocamos mais de 200 profissionais concursados, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e auxiliares de laboratório.

 

aQui: O que falta hoje nos postos e hospitais: médicos (quais?)? Remédios? Equipamentos? Eficiência? Qualidade? 

Samuca: Não faltam médicos nas unidades. Temos problema, é claro, de um médico faltar, ficar doente, esses problemas. Mas não faltam médicos nas Unidades Básicas de Saúde. Por vezes temos problemas de materiais, mas por conta de fornecedores que atrasam a entrega dos insumos e do governo do Estado, que não está transferindo seus medicamentos, por exemplo.

 

aQui: Todos os ex-prefeitos – e o senhor também já reclama – batiam na tecla que a Saúde não era boa porque o município atende muita gente de fora. Mas não diziam que também ganhavam mais verbas do Estado e da União por isso. O que o senhor poderá fazer, em termos práticos, para reverter esse quadro?

Samuca: Os repasses de verbas não cobrem os gastos com atendimento, é bom frisar. Outro fator importante, é repactuar os limites de Volta Redonda e aumentar a arrecadação para a área de saúde, investimentos nas cidades vizinhas e, também, a formalização da região Sul Fluminense em metrópole. Hoje, 40% dos atendimentos na nossa rede de saúde são de pacientes de outras cidades. Também tivemos, com a crise financeira, muitas pessoas deixando os planos de saúde para serem atendidas na rede pública.

 

Mahatma Ghandi tem uma série de processos na Justiça do Trabalho

Olho vivo

Por Roberto Marinho

Apesar de garantir estar ciente do passado e do presente da OS Mahatma Ghandi, é bom o prefeito Samuca Silva colocar as barbas de molho. É que a associação, que surgiu há 48 anos a partir de um hospital em Catanduva (SP), já é alvo de vários processos trabalhistas no estado vizinho e também no Rio de Janeiro. Em uma ferramenta de busca de processos judiciais, o Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Ghandi consta como parte – sendo réu ou não – em pelo menos 61 processos, sendo 45 em São Paulo e outros 16 no Rio. O número até parece baixo, mas a dor de cabeça pode ser grande.

Em alguns destes processos, a prefeitura de Catanduva, por exemplo, foi condenada a pagar junto com a OS o que esta devia a ex-funcionários. Em um dos processos a que o aQui teve acesso, na 2a Vara do Trabalho de Catanduva, a OS foi condenada a pagar R$ 30 mil a um técnico de raio X, por jornada excessiva de trabalho, pagamento errado de horas extras, diferenças no cálculo do salário, não pagamento de insalubridade, entre outros. E o prejuízo teve que ser dividido entre a prefeitura paulista e o hospital que contratou o técnico. Podia ser pior, já que no início da ação o ex-funcionário pedia R$ 91 mil de indenização.

Mais um hospital


Volta Redonda tem tudo para ganhar um novo hospital em 2019. Trata-se do ‘Viver Mais’, localizado no Laranjal, e que irá atender a população local e das cidades vizinhas. A previsão é que entre em funcionamento já no primeiro trimestre de 2019. O objetivo é se tornar referência em qualidade de atendimento médico de alta complexidade, bem como na prestação de serviços médicos hospitalares, hotelaria e recursos tecnológicos.

“Existe um carência de leitos privados na região e o ‘Viver Mais’ chega para suprir essa necessidade. Mas, nossa preocupação vai além disso. Iremos oferecer um serviço diferenciado, com atendimento extremamente qualificado e instalações modernas, além dos melhores profissionais da região, visando proporcionar conforto e segurança aos pacientes”, disse o médico Ivo Xavier, diretor da futura unidade.

O ‘Viver Mais’ contará com centro médico integrado, que reunirá no mesmo ambiente serviços de emergência, centro cirúrgico, UTI e de diagnóstico por imagem. O objetivo é oferecer uma assistência completa, 24 horas por dia, com equipamentos de alta tecnologia e uma equipe médica altamente preparada. “O ‘Viver Mais’ será um hospital voltado para o atendimento cirúrgico e terapia intensiva, com atendimento rápido e direto, e emergência integrada com centro de diagnóstico. Volta Redonda ganhará uma unidade hospitalar mais moderna, ágil e com maior qualidade de atendimento”, ressaltou Ivo, anunciando que o investimento é da ordem de R$ 40 milhões, com a expectativa de gerar 400 novos empregos diretos em Volta Redonda

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