Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Publicado em 19/03/18, às 09:22

A polêmica continua…

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Depois de dias de manifestações puxadas por um pequeno grupo de pais insatisfeitos com o modelo de escola em tempo integral implementado pelo prefeito Rodrigo Drable e do barraco armado pelo vereador Thiago Valério nas redes sociais ao ser impedido de participar de uma reunião interna entre a secretaria de Educação e professores do Padre Anchieta (uma das escolas que funcionam o dia todo, grifo nosso), o Conselho Tutelar e a OAB-BM decidiram averiguar o que de fato era verdade nas denúncias e o que poderia ser apenas uma intriga da oposição.

 

De acordo com a conselheira Marinilda da Silva Lopes, a tarefa não foi fácil. Mesmo dando a chamada ‘carteirada’, o diretor do Padre Anchieta deixou a comitiva de conselheiros e advogados esperando do lado de fora até que o maestro Vantoil de Souza, secretário de Educação, chegasse ao local para acompanhá-los na ‘visita’. “Na hora que chegamos encontramos dificuldade para entrar. O diretor ficou com pé atrás, não sei se diretamente contra o conselho ou contra a OAB. Esclarecemos que não precisávamos da autorização. Ele fez um contato com o subsecretário e o prefeito. Meia hora depois, o secretário e o sub chegaram. Ele nos acompanhou por todos os cômodos da escola”.

 

O prefeito não gostou nem um pouco da ‘intromissão’ dos conselheiros e membros da OAB. Visivelmente insatisfeito, Rodrigo soltou o verbo através de um vídeo que compartilhou nas redes sociais. “A estrutura é muito limitada, o tempo de reação é limitado. Ainda assim, as escolas estão melhores do que eram. O que estava acontecendo é um cavalo de batalha com pessoas que têm divergência política, pois é ano eleitoral e querem crescer politicamente”, disse Rodrigo, referindo-se ao vereador Thiago Valério, um pré-candidato a deputado estadual. “Isso não prejudica o governo, mas, sim, as crianças. Cada dia, grupos diferentes querem entrar (nas escolas, grifo nosso) sem aviso prévio, dando ‘carteirada’. O mundo democrático tem mecanismos para quem sabe usar”, desabafou o prefeito.

 

Rodrigo foi além. Disse que pretende abrir as portas das escolas para representantes da sociedade organizada, desde que o rito burocrático seja cumprido. “Convido a todos que queiram participar, de forma adequada. Não invadindo a escola em horário de aula, pois aquele é um ambiente escolar. Vou convidar juízes, promotores e Ministério Público. Aquele ambiente (escola) tem que funcionar para o bem e futuro de nossas crianças”, finalizou.

Banana

Rodrigo pode estar certo, mas, conforme explicou Marinilda, a intenção dos visitantes era apenas  averiguar se os direitos das crianças, como alimentação, acomodações adequadas entre outros não estavam sendo violados, como denunciam alguns pais. “Já havia algumas denúncias, reclamações sobre as condições das escolas. Ouvimos algumas expressões do tipo ‘depósito de crianças’, salas com cheiro de tinta e sem adaptações. Tudo isso nos chamou a atenção, inclusive os horários de refeição, pois, ao que parece, as crianças estavam se acumulando para comer, criando tumultos. Nos disseram que faltava muita coisa no cardápio. Inclusive, há relatos de crianças passando o dia comendo só banana. O conselho resolveu fazer uma visita para averiguar”, explicou.

 

Ainda de acordo com a conselheira, o Conselho Tutelar, ao contrário do que Rodrigo pensa, não precisa de aviso prévio. Pode chegar quando e onde quiser. “É uma atribuição nossa fazer essa fiscalização. A gente não precisa fazer um aviso prévio, para que não haja nenhum tipo de maquiagem. Fomos acompanhados da OAB, que recebeu uma comissão de pais com as mesmas denúncias. Foi conosco o presidente da instituição e a presidente da Comissão da Criança e do Adolescente”, defendeu-se.

 

Para alívio de Drable e Vantoil, a conselheira e os advogados participantes da visita gostaram do que viram. Marinilda até elogiou as escolas que visitaram. “Pegamos todas as informações possíveis. O secretário e o subsecretário de Educação foram esclarecendo nossas dúvidas. O que acontece é que esse projeto (escola em tempo integral) é um modelo novo. Vai levar certo tempo para se adaptar. A meu ver, minha opinião e do colegiado, as coisas estão andando e muito bem. Não vimos nada perto do horror que foi explanado. O local está climatizado, as salas estão bonitinhas. Não vimos tumultos no colégio, pois os horários das refeições estão divididos por turmas e horários. Têm 16 câmeras espalhadas no Padre Anchieta, todas funcionando”, relatou.

Barraco na internet

Na semana passada, o vereador Thiago Valério tentou participar, a convite dos próprios professores conforme explicou, de uma reunião com o secretário de educação, Vantoil de Souza, na Escola Padre Anchieta. O objetivo do encontro era tratar do projeto de escola em tempo integral implementado na unidade e em mais cinco outras escolas do município.

 

O parlamentar, através de um vídeo postado no Facebook, denunciou que fora barrado. “Isso mostra a intransigência desse governo. Não estão dispostos a nos ouvir. Eu tenho o direito de entrar na escola, pois faço parte de um poder representativo. A Constituição me permite visitar escolas”, esbravejou Thiago, revoltado por ter sido impedido pelo próprio maestro Vantoil de participar da reunião.

 

Thiago esclareceu no vídeo que estava a favor da escola em tempo integral, mas que a forma adotada pela prefeitura era “desorganizada”. “Eu sou um fã do horário integral. Lembro da época em que Darcy (Ribeiro) e (Leonel) Brizola implementaram o ‘Brizolão’. Eu não sou a favor da desorganização e das questões negativas. Minha obrigação era esperar que fatos como estes acontecessem e agora vamos tomar as providências”, explicou.

 

Em nota, a prefeitura de Barra Mansa, através da secretaria de Educação, esclareceu que o encontro apontado pelo vereador era uma reunião de trabalho, onde estavam apenas os professores, diretores e o secretário de Educação. Sobre as frequentes manifestações contrárias ao projeto de tempo integral, a assessoria de imprensa disse que são poucos os envolvidos. “As manifestações estão sendo feitas com participação de pouquíssimos pais, considerando serem mais de 2.000 alunos beneficiados. Qualquer reclamação sobre o funcionamento das escolas de ensino integral ou regular deve ser repassada para o diretor da unidade e/ou para a secretaria de Educação, que está disposta a ajudar e cumprir com seu compromisso de garantir um ensino de qualidade para todos”, argumenta.

 

Questionada se os alunos ficam ociosos, a assessoria de imprensa disse que os alunos estão em processo de adaptação, mas que participam de todas as atividades propostas. “A escola está oferecendo regularmente as oficinas, incluindo xadrez, música, empreendedorismo e aulas de idiomas. As possíveis faltas de profissionais vêm sendo suprida imediatamente pela secretaria de Educação”, pontua.

 

A nota termina frisando que o espaço das escolas contempladas pelo projeto foi readequado para garantir as exigências do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FN-DE). “Foram construídos módulos, com excelente qualidade, com isolamento termoacústico e climatizados com ar-condicionado. O município adquiriu mobiliário escolar para suprir a demanda seguindo os padrões estabelecidos pelo FNDE. Antes do início das atividades a secretaria se reuniu com todos os pais, em reuniões efetuadas em cada escola”, finalizou.

Continua na página 13.

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