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Sábado, 23 de Setembro de 2017
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Publicado em 21/08/17, às 11:12

A perder de vista

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Empréstimos podem ser uma boa estratégia para concretizar grandes planos ou quando é preciso lidar com gastos inesperados. Também podem ser uma forma de lidar com o endividamento – a principal razão observada entre os consumidores brasileiros que recorrem aos  bancos e financeiras. De acordo com uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a principal finalidade do empréstimo pessoal ou consignado é o pagamento de dívidas (37%), como faturas atrasadas no cartão de crédito, prestações não pagas em lojas e até mesmo outros empréstimos adquiridos no passado.

 

Em segundo lugar aparecem o pagamento de contas básicas, como aluguel, condomínio, luz, telefone e escola (21%). A compra ou troca de um carro (16%), reforma da casa ou apartamento (14%), compra de mantimentos para casa (12%) e a realização de viagens (9%) aparecem em seguida no ranking de motivações.

 

“Se o objetivo é antecipar o consumo, como, por exemplo, a reforma da casa, o custeio dos estudos ou a troca do carro, é importante que se observe todos os custos financeiros envolvidos e o quanto as parcelas irão comprometer da renda”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Como revela a pesquisa, o empréstimo pode também ajudar a quitar outras contas atrasadas, mas desde que as condições do empréstimo sejam mais favoráveis do que as dívidas acumuladas”, afirma.

 

A pesquisa mostra que 20% dos brasileiros possuem um empréstimo pessoal em banco, 16% um empréstimo consignado, que é descontado diretamente da folha de pagamento, e 9% têm empréstimo feito em financeira. Do total de brasileiros que possuem algum empréstimo, 62% recorreram ao empréstimo pessoal de bancos, 51% buscaram um consignado e 28% recorreram ao empréstimo de financeiras.

 

Para a economista-chefe, o empréstimo, embora seja uma opção para a quitação de dívidas, não deve ser banalizado. “Contrair um segundo débito para quitar o primeiro faz sentido quando se consegue condições melhores, com juros mais baixos e prazos mais amigáveis, substituindo uma dívida mais cara por outra mais barata”, aconselha Kawauti. “Porém, é fundamental refletir sobre o próprio comportamento a fim de entender a razão do descontrole financeiro e, se possível, resolver a situação ajustando os gastos. Se a pessoa não se organizar, ao invés de resolver um problema, poderá criar outro ainda maior.”

 

De acordo com o levantamento, os fatores determinantes para a escolha do crédito são as menores taxas de juros (48%) e os menores valores das parcelas (21%). Por outro lado, 17% alegam não ter muito tempo para pesquisar ou comparar as taxas e juros cobrados e 13% dizem que nem sempre podem escolher, adquirindo o empréstimo para o qual conseguem aprovação, independente da taxa de juros. A maioria (78%) afirma ter verificado a possibilidade de pagamento das prestações antes do empréstimo. Cerca de 67% dizem estar conseguindo pagar todas as parcelas em dia, enquanto 24% admitem ter atrasado e 9% dizem ainda estar com as parcelas atrasadas.

 

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, lembra que deixar de observar as tarifas envolvidas numa operação como essa é um equívoco que certamente aumenta o risco de inadimplência: “Quem diz que não tem tempo de pesquisar as taxas pode acabar pagando caro por isso, pois as taxas variam muito de instituição para instituição. De que adianta a facilidade de conseguir um empréstimo, se depois não vai conseguir pagar? Em pouco tempo esta segunda dívida pode fugir ao controle, comprometendo a vida financeira por muito tempo”.

 

Cerca de 16% dos consumidores tentaram pegar algum tipo de empréstimo nos últimos três meses, sendo que 10% conseguiram e 6% tentaram e não conseguiram. As garantias de pagamento mais solicitadas pelos credores, de acordo com os consumidores que tomaram algum empréstimo, são o desconto das prestações na folha de pagamento (42%) e seguro (12%). Para 44%, o empréstimo feito foi totalmente suficiente para cumprir a sua finalidade, mas para 48% ele foi apenas parcialmente suficiente.

 

Dentre o total de consumidores brasileiros que atualmente possuem algum empréstimo pessoal em banco, 68% fizeram a solicitação diretamente com o credor, enquanto 13% aceitaram a oferta do banco. Já entre os que possuem empréstimo pessoal em financeiras, 58% solicitaram diretamente, ao passo que 21% receberam a oferta de uma instituição e aceitaram a proposta. Com relação ao empréstimo consignado, 76% fizeram a solicitação e 18% aceitaram a oferta feita. Segundo o levantamento, 17% dos tomadores de empréstimos em bancos estão com o nome sujo devido a atrasos na quitação das parcelas. No caso dos empréstimos com financeiras, o percentual de devedores que já foram registrados em serviços de proteção ao crédito por causa dessa modalidade de empréstimo aumenta para 23% e no consignado cai para 7%. A pesquisa revela que 56% fazem algum tipo de controle do pagamento das parcelas, porém 20% não possuem esse hábito.

 

Parcelamento

Atualmente, 16% dos brasileiros possuem empréstimo pessoal consignado, que é descontado mensalmente da folha de pagamento de trabalhadores, aposentados e pensionistas. Na média, cada entrevistado dividiu o empréstimo em 32 parcelas, quantidade bastante superior à constatada entre os consumidores que possuem empréstimos com bancos (15 parcelas, em média).

 

A economista Marcela Kawauti esclarece que embora o consignado – que cobra taxas mais baixas do que outros tipos de empréstimos – seja uma modalidade popular em situações de sufoco, é preciso tomar alguns cuidados extras. “A prestação deste tipo de empréstimo sempre cabe no bolso do consumidor, pois o valor é retirado do salário, mas a pergunta que se deve fazer é: estou preparado para viver sem esta fatia da minha renda pelos próximos 30 meses ou mais? De nada adianta pagar as parcelas em dia e enfrentar dificuldades para lidar com as despesas básicas ou deixar de honrar outros compromissos”, conclui.

 

Metodologia

A pesquisa traça o perfil de 601 consumidores de todas as regiões brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos e pertencentes a todas as classes sociais. A margem de erro é de 4,0 pontos percentuais e a margem de confiança, de 95%.

 

Nome emprestado 

Se o orçamento já está apertado e o salário não deu para o fim do mês, muitos brasileiros acabam usando o crédito de outras pessoas para conseguir consumir, pagar dívidas ou outras pendências financeiras. De acordo com outra pesquisa do SPC Brasil e da CNDL, 39% dos brasileiros já fizeram compras utilizando o nome de terceiros, sendo que as modalidades mais utilizadas foram cartão de crédito (26%), cartão de loja (9%) e crediário (9%).

 

Os principais motivos para o empréstimo de nome foram os imprevistos (27%) e o fato de já estar com o nome sujo (25%). A principal justificativa para convencer a pessoa a emprestar o nome é o alto valor de contas a pagar não planejadas e a impossibilidade de pagá-las no momento (18%) e por não terem como pagar à vista as roupas, calçados e acessórios que desejam (14%). Estes são, aliás, os produtos mais comprados dessa forma (30%), seguidos dos celulares (19%) e eletrônicos em geral (14%).

 

“A questão nem sempre se resume aos imprevistos, uma vez que muitas pessoas pedem ajuda a familiares e amigos porque querem comprar algo e não podem, seja em razão de terem o nome incluído em cadastros de proteção ao crédito, seja porque o que desejam não está dentro de sua realidade financeira”, explica o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

 

De acordo com o levantamento, as principais pessoas recorridas para o empréstimo são os pais (27%), o cônjuge (22%) e os irmãos (19%). A maioria dos entrevistados (85%) garante ter avisado o quanto seria gasto antes de pedir o crédito, mas 8% não avisaram.

 

Para Vignoli, usar o nome de outra pessoa para comprar é algo que só se deve fazer quando não há nenhuma outra alternativa. “Quem empresta se sente constrangido a não fazê-lo por causa da proximidade com a pessoa e pelo desejo de ajudar. Ao mesmo tempo, quem se vale do crédito de terceiros mostra que já está enfrentando algum problema financeiro, como a negativação, por exemplo, e o ideal é evitar ao máximo fazer compras”, afirma o educador financeiro.

 

Nove em cada dez entrevistados que pediram o nome de alguém emprestado já pagaram ou estão pagando a dívida em dia. “Apesar de ser a maioria, se a pessoa já está passando pela restrição ao crédito porque não conseguiu pagar dívidas anteriores, a probabilidade de não honrar o novo compromisso assumido é grande. Assim, as chances de o empréstimo do nome acabar mal são reais, com prejuízos tanto para as finanças quanto para o relacionamento entre as duas partes”.

 

A pesquisa mostra ainda que apenas 19% dos consumidores sentiram alguma dificuldade imposta pelas lojas para fazer a compra no nome de outra pessoa.

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