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Domingo, 24 de Março de 2019
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Publicado em 24/12/18, às 08:37

A hora da verdade

Por Vinícius de Oliveira

Ainda não foi dessa vez que a oposição conseguiu derrubar o impopular Ataíde de Oliveira, presidente do Sindicato do Funcionalismo Público de Volta Redonda. Depois de duas semanas em absoluto silêncio fazendo promessas e acordos, o sindicalista conseguiu contornar a manobra encabeçada pelo ex vice-presidente da instituição, Luiz Fernando, que renunciou ao cargo levando consigo todos os membros da direção. Para não ser obrigado a abrir mão de seu posto e nem convocar novas eleições, Ataíde convenceu os suplentes a assumirem as vagas em aberto e deverá continuar comandando o sindicato.

 

Acusado de ter ludibriado os servidores públicos em uma festa, por meio de um sorteio de um carro zero quilômetro para conseguir mudar o estatuto e estender seu mandato até 2021, à imprensa Ataíde fez questão de afirmar que sua permanência no cargo não é ilegal. “Meu mandato está íntegro até 2021, com tudo dentro da lei. Com a renúncia de alguns membros, os suplentes já ocuparam o lugar e os cargos já estão preenchidos. Está tudo regular no sindicato, sendo assim, não haverá nova eleição, como muitos estão dizendo”, disparou em tom desafiador.

 

Mas isso não assusta o ex-assessor parlamentar Ronaldo Rodrigues. Principal opositor de Ataíde e autor das denúncias, Ronaldo afirmou ao aQui que não precisará do presidente do SFPVR para convocar novas eleições. “O estatuto é claro. Precisamos de 30% das assinaturas dos servidores sindicalizados para convocar novas eleições, independente da vontade do presidente. Já temos essas assinaturas. Estamos esperando apenas os prazos legais para convocarmos uma assembleia”, explicou Ronaldo, salientando que Ataíde esconde muitos segredos da categoria que representa e pretende expor todos eles. “A porrada só está começando. Tem muita coisa ainda para vir à tona”, retrucou, também em tom desafiador.

 

Ronaldo não está brincando. Um dos ‘podres’ de Ataíde, segundo ele, diz respeito ao carro adquirido pela atual gestão, que tem servido, muitas vezes, para uso pessoal do presidente. “A nova é que a atual diretoria, junto com os que renunciaram, comprou um carro há alguns anos de um funcionário da Câmara e não pagou. O carro na época custava no máximo R$ 7 mil. Usaram bastante o carro, bateram com ele e o danificaram. Depois quiseram devolver. O dono, obviamente, não aceitou e  entrou na Justiça”, contou Ronaldo.

 

O referido funcionário é Joaquim Valdevino Nunes de Oliveira e, conforme o aQui apurou junto aos autos do processo registrado sob o número 0035571-14.2009.8.19.0066 no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Sindicato foi condenado em primeira instância a pagar os prejuízos. “Esse processo causou um prejuízo para o nosso sindicato de R$ 48 mil! Ataíde mente para a categoria, dizendo que deixará um carro como legado. Na verdade, está deixando prejuízos”, denunciou Ronaldo.

 

Queda de braço

As ameaças de Ronaldo preocuparam tanto Ataíde que ele resolveu arrumar um jeito de expulsar o ex-assessor parlamentar das fileiras do Sindicato. Ou seja, o presidente tentou desfiliar seu desafeto, enviando à prefeitura um documento, exigindo que ele perdesse seus direitos enquanto sindicalizado.

 

Bufando de raiva, ao saber da manobra contra si, Ronaldo tratou de procurar o secretário de Administração da prefeitura, Carlos Baía. “Estive lá na prefeitura explicando para o secretário que essa tentativa de Ataíde de me expulsar é totalmente ilegal. Segundo o próprio estatuto, só é possível expulsar um servidor sindicalizado se este causar algum prejuízo ao Sindicato ou mesmo agredir alguém da direção. Nada disso aconteceu”, explicou Ronaldo, indo além. “Deixei bem claro ao Baía que se o governo municipal levasse adiante esse despautério, sobraria processo para a prefeitura também”, disparou.

 

Ronaldo revelou que a audácia de se levantar contra Ataíde tem lhe rendido sérias represálias. Entre elas, o ex-assessor estaria recebendo ameaças de morte. “Estão me ligando e dizendo que vão me matar. Mas eu não tenho medo. Mesmo que eu morra, morrerei defendendo a minha categoria”, expôs, adiantando que pretende procurar a Polícia para prestar queixa. “Vão quebrar meu sigilo telefônico para descobrirem o autor das ameaças. Eu não vou parar. Não tenho medo”, completou.

 

Questionado sobre como procederia num eventual governo, Ronaldo desconversou, alegando que ser presidente do SFPVR não é, necessariamente, sua pretensão. “O que eu mais quero é que tenha eleições. Nossa categoria sofreu um golpe e perdeu o direito de votar em seus representantes. Se vou ser candidato a presidente ou não, é outra história. Mas vou até o fim para garantir que todos possam montar suas chapas, inclusive o próprio Ataíde ou mesmo Luiz Fernando, que renunciou ao cargo de vice-presidente recentemente”, disse.

No sapatinho

Enquanto Ronaldo e Ataíde trocam farpas e acusações e medem forças diante da opinião pública, Luiz Fernando – que se rebelou contra o presidente do Sindicato e encabeçou a debandada de diretores – apenas observa o desenrolar dos fatos. Quando questionado, o sindicalista diz que também defende a realização de novas eleições. “Tenho certeza que Ataíde está blefando. Ele não vai conseguir evitar novas eleições. Não tem apoio. Vamos esperar os trâmites legais”, resumiu, reforçando que nunca foi a favor dos “desmandos” de Ataíde.

 

Ao ser perguntado por qual razão Luiz Fernando demorou tanto para renunciar ao cargo e anunciar o fim da parceria com Ataíde, ele explicou que escolheu não tomar nenhuma atitude precipitada. “Nós não fomos coniventes com as atitudes do presidente. Ele fazia o que bem entendia e não dava ouvidos para os demais diretores. Assim que soubemos do que aconteceu naquela festa, procuramos a melhor forma de resolver a questão. Ao percebermos que a categoria exigia  eleição, resolvemos ouvir seu apelo e renunciamos justamente para que Ataíde convocasse novas eleições”, justificou o sindicalista, que pretende compor uma chapa de oposição a Ataíde.

 

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