Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 23 de Abril de 2019
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Publicado em 08/04/19, às 10:30

À flor da pele

Por Roberto Marinho

Perder o emprego não é fácil. E tudo piora quando a empresa não paga salários, 13º, férias, não recolhe FGTS dos seus ex-funcionários e o caso vira uma pen-denga Judicial. Esse é o drama, por exemplo, que vivem os demitidos do antigo Hospital Vita, após a disputa judicial entre a CSN e o grupo Vita, de Curitiba, que acabou indo embora da cidade do aço sem pagar as suas dívidas trabalhistas.
Depois de receber a boa notícia que as indenizações seriam pagas a partir de quarta, 3, os ex-funcionários do Vita foram surpreendidos com a informação de que a Justiça do Trabalho teria alterado a data por conta da mudança da sede da Procuradoria do Trabalho, em Volta Redonda.
Com isso, a presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 1a Região (TRT/RJ) suspendeu todos os prazos e remessas dos processos que envolvem o Ministério Público do Trabalho nas varas de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí, e o atendimento ao público foi suspenso, desde o dia 19 de março até a última quarta, 3.
Os ex-funcionários do Vita, que vêm acompanhando o caso com ansiedade, entraram em contato com o jornal, angustiados com a situação, e questionam até a atuação do Sesf (Sindicato de Auxiliares, Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores nos Estabe-lecimentos de Serviços de Saúde do Sul Fluminense), que representa 380 trabalha-dores em um processo coletivo contra o grupo Vita.
“Sou ex-funcionário do hospital Vita. Vocês fizeram uma matéria (na edição 1.142) sobre a situação dos funcionários. Peço a vocês que façam uma atualização do caso, pois o Ministério do Trabalho modificou o prazo e não vamos receber nossos direitos. Penso que está acontecendo uma falta de respeito com o trabalhador. Tem pessoas passando por necessidades e esse dinheiro está em outras mãos”, diz um deles, em mensagem encaminhada ao jornal.
“Estamos indignados com tudo isso, cada hora é uma data. Estava tudo certo para o dia 3, agora não. Quem entrou com advogado particular já resolveu, estamos com o sindicato e cada dia (eles) dão uma data. Muitas vezes não respondem a todos e sempre com uma resposta vaga. Precisamos de documentos para dar entrada em aposentadoria e não conseguimos, ninguém aqui em Volta Redonda responde por isso, estamos todos presos. Vai fazer um ano daqui a pouco e nada resolvido, é nosso direito”, citou uma ex-funcionária, pedindo que seu nome não fosse revelado.
Posição do Sindicato
A advogada do Sesf, Telma Politi, enviou ao jornal o ato no 71/2019, do TRT-RJ, onde o órgão suspende “os atos judiciais, prazos processuais, e remessa de processos físicos e eletrônicos do Ministério Público do Trabalho nas varas de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e Barra do Piraí, no período de 19/03 a 03/04”. Tem mais. Ela enviou uma cópia do documento que deter-mina o adiamento da apresentação de recursos – de 3 de abril para 18 de abril. Se após essa data não houver nenhum recurso do Vita, o processo irá transitar em julgado, ou seja, será concluído. A partir daí, começam as execuções judiciais e os ex-funcionários finalmente poderão ver a cor do dinheiro.
“Infelizmente estamos tendo muitos obstáculos. O sindicato vem atuando e buscando justiça. Já venceu no processo, que era o mais importante. Mas todo processo tem andamento e prazos, as partes têm que se manifestar”, afirmou Telma, que disse não ter conhecimento de que outros ex-funcionários já tenham recebido alguma inde-nização por parte do Vita. “Até porque está havendo dificuldade para notificar (o Vita, grifo nosso) sobre as audiências. Em nenhum outro processo foi realizado bloqueio para algum empregado receber”, aponta.
A advogada afirmou que entende a angústia dos trabalhadores, mas a cada passo do processo surge uma onda entre os ex-funcionários querendo abandonar o processo. “Entendemos o colaborador, porém é necessário estar unido ao seu sindicato. A cada movimentação processual os colaboradores querem sair do processo”, afirmou ela, que completou: “O colaborador deve apoiar o sindicato, e juntos venceremos. Não pode em qualquer situação e procedimento do judiciário fazer com que fiquem contra a única instituição que os ajudou”, avalia, informando que teria promovido várias audiências para explicar a situação aos ex-funcionários do Vita.
A direção do sindicato também afirmou em nota que “desde o início esteve presente junto aos colaboradores”. De acordo com o órgão, houve um trabalho para manter diversos benefícios dos ex-funcionários do Vita que foram admitidos pelo atual administrador da unidade de saúde, o Hospital das Clínicas. “A manutenção de benefícios era uma das maiores preocupações, já que havia gestantes, e próximas do parto. Também foi conquistada através do sindicato a garantia da contratação de todas as gestantes, uma antecipação do reajuste salarial de 4%, a manutenção do ticket alimentação e alimentação para os empregados, e o plano de saúde, que havia sido suspenso”, enumerou.

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