Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Terça-Feira, 23 de Abril de 2019
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Publicado em 15/04/19, às 11:28

A enchente das goiabas

Por Edson Quinto

Os antigos já diziam: 19 de março é a data da “enchente das goiabas”, o dia mais chuvoso do mês de março, talvez até do ano inteiro. A chuva forte encontrava as goiabas madurinhas no pé, e a força do vento e da água derrubava as frutas. Em estados como Minas Gerais, aqui pertinho de nós, era costumeiro ter muitos pés de goiaba ao longo dos rios, e as frutas derrubadas pela força da natureza caiam nos rios, que ficavam cheios de goiabas madurinhas flutuando. Daí a expressão “enchente das goiabas”.

 

Mas, tudo isso é passado. Depois de gerações maltratando os rios e cortando as árvores, nos deparamos com as cada vez mais visíveis consequências das mudanças climáticas. Tanto é que as chuvas mais fortes deste verão foram em abril, no início do outono. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, a chuva desta semana deixou dez mortos, centenas de desabrigados, e trouxe grande prejuízo para milhares de pessoas, que não tinham nem como sair de casa.

 

Como exemplo próximo de nós temos o que aconteceu em Volta Redonda e Barra Mansa, quando as chuvas torrenciais e fora de época da semana passada transformaram as duas cidades em um caos. Por sorte, não houve vítimas fatais, apesar do imenso prejuízo das famílias atingidas, algumas delas ainda desabrigadas.

E o que cabe a nós, como cidadãos e também legisladores, em relação a essa questão? A primeira, mais urgente e mais fácil de ser posta em prática é não jogar lixo nas ruas. Pode parecer muito pouco, mas uma simples sacola plástica de mercado tampando um bueiro pode ser o suficiente para alagar um quarteirão inteiro. Imaginem quando diversas pessoas não têm esse cuidado e jogam sacolas, copos plásticos e todo tipo de sujeira nas ruas? O resultado são bueiros entupidos e alagamentos em vários pontos da cidade.   

 

O segundo ponto, e talvez mais importante, porque pode trazer reflexos benéficos no futuro, é olhar com mais carinho para a natureza, as margens dos rios, as árvores. Evitar o desmatamento e plantar árvores de forma sistemática é uma das melhores maneiras de segurar a água no solo, além de “firmar o chão” nas margens dos rios. Uma medida simples, e que as gerações futuras com certeza agradecerão.

 

Outro ponto, muito importante, é evitar as construções e escavações irregulares, já que, com as chuvas fortes, o solo exposto tende a se soltar, causando deslizamentos e ajudando a entupir ainda mais os bueiros e as galerias pluviais.

 

Com a ajuda de todos, essas simples medidas podem ajudar a melhorar esta situação. A natureza e as gerações futuras agradecem! 

Edson Quinto é vereador e presidente da Câmara de Volta Redonda

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