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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
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Publicado em 13/11/17, às 08:49

9 de novembro – A luta não tem mais armas

silvio e lindinberg
Vinte nove anos depois da Greve de 1988 na CSN, a memória do movimento – que resultou na morte dos metalúrgicos Willian, Walmir e Barroso – ainda está fresca. Mas apenas a memória. A disposição para a luta não existe mais. O aniversário da Greve, comemorado na quinta, 9, foi lembrado em um ato promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos na Praça Juarez Antunes. Cerca de 300 pessoas – nem 10% dos trabalhadores da CSN – participaram do evento: praticamente sindicalistas, simpatizantes de movimentos sociais e religiosos ligados ao bispo Dom Biasin. O senador Lindberg Faria – citado na Lava Jato por recebimento de propina da Odebrecht – também participou do ato.

De cima do caminhão de som – que em 1988 serviu de palco para a voz do líder sindical Juarez Antunes – Silvio Campos, atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, criticou a CSN e a intenção da empresa em voltar com o turno fixo de oito horas na UPV.

Em entrevista exclusiva ao aQui, Silvio falou da luta armada e da memória da Greve de 1988 da Usina. Ele explicou, por exemplo, o que quis dizer quando publicou no Boletim do Sindicato que se a CSN não apresentasse uma proposta justa pela volta do turno de 8 horas, poderia se repetir o “9 de Novembro”, porém “sem luta armada”. “Quando eu falei em luta armada, é porque naquela época (na Greve de 1988) a gente teve que morrer ou quase matar – o que faltou pouco. Se o Exército entrasse mais um pouco, tinha morrido soldado ali. Eu falei sem luta armada, porque não temos interesse algum no turno de oito horas, mas estamos sendo pressionados”, revelou.

A pressão, segundo Silvio, vem não apenas da CSN, mas dos próprios trabalhadores, que teriam pedido ao Sindicato que não deixasse a empresa implantar o turno fixo. “Eles chegaram para nós e pediram: façam qualquer coisa, menos o turno fixo. Não suportamos”, contou, acrescentando que a empresa tem usado desta fragilidade dos trabalhadores para pressionar o Sindicato. “É por isto que convoquei para a luta. Mas não uma luta armada como foi há 29 anos”, explicou.

Senador
Questionado se não achava contraditório convidar um investigado da Lava Jato para participar do ato em memória dos operários assassinados no 9 de Novembro, Silvio Campos disse que não convidou Lindberg Faria. “Ele não foi convidado. Ele pediu para vir. Ele disse que estava na região e que gostaria de fazer uma visita ao Sindicato e aos trabalhadores”, explicou, ponderando que, apesar das investigações, Silvio acompanhou as discussões em torno da reforma trabalhista e viu o empenho do senador para que ela não acontecesse, porque prejudicaria os trabalhadores.

“Eu acompanhei todo o processo da reforma e eu não vi nenhum parlamentar – com algumas exceções – que realmente lutou pelo trabalhador. E ele estava nas exceções. O resto entrou na onda do governo, lavaram as mãos e pegaram as suas vantagens, suas emendas. Independente de qualquer coisa, o Lindberg foi um dos que mais lutou pelos trabalhadores”, crê Silvio. “Não sou PT, mas acho que a gente tem que ser justo com aquele que lutou. Chegou ao ponto em que eles (os senadores contrários à reforma trabalhista) cercaram o presidente do Senado para não aprovar a reforma. Foi uma coisa de doido”, lembrou.

Lula
Para não perder a oportunidade, Lindbergh chegou a fazer campanha para o ex-presidente Lula. Foi na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, onde o parlamentar participou de uma homenagem aos três trabalhadores mortos por militares durante a greve de 1988. “O Lula cresceu muito nas pesquisas. Quando a Dilma saiu, ele estava com 17% e agora, segundo o Ibope, ele está com 35%. O povo está percebendo que sua situação está piorando muito e lembra do Lula. Ele (o povo) pode ter a maior crítica contra o Lula, mas percebe que naquela época a situação era melhor. Analisando vários pareceres jurídicos, tenho uma certeza: o Lula vai ser candidato. E acho que ganha a eleição no primeiro turno”, crê.

Lindbergh atribuiu a preferência por Lula à insatisfação popular em relação às medidas tomadas pelo atual governo e classificou a reforma trabalhista como “o maior corte de direitos da história”. “Com essa reforma, estamos voltando a uma situação de semi escravidão. É um trabalhador super explorado, sem direito algum (…). É um escândalo o que eles estão fazendo. Por isso, chamo muito para mobilização. Está muito difícil. As mobilizações infelizmente estão pequenas”, criticou, omitindo é claro todas as denúncias contra Lula, Dilma, e ele, é óbvio.

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