Jornal Aqui - Volta Redonda - Barra Mansa

Sábado, 17 de Novembro de 2018
0
Publicado em 18/06/18, às 09:17

Artigos

Rússia 2018: a Copa do áudio digital

2992589538-tigre

O rádio e o futebol sempre estiveram em sintonia. De acordo com os registros, a primeira transmissão da modalidade no País se deu em 19 de julho de 1931, durante a partida entre as seleções de São Paulo e do Paraná. Foi assim que teve início a íntima relação dos brasileiros com o esporte bretão por meio do rádio. Há acadêmicos, como o sociólogo Ronaldo Helal, que defendem o rádio como o responsável pela transformação do esporte em paixão nacional e até mesmo pelo surgimento do patriotismo.

 

De lá para cá naturalmente muita coisa mudou, desde a qualidade, como a cobertura das transmissões e a evolução da forma de narrar. Em 1960 surge Fiori Gigliotti, referência por criar e fazer uso de bordões. Mais adiante, por volta da década de 70 nascem ícones do jornalismo esportivo como José Carlos Araújo e Osmar Santos, que viraram de cabeça para baixo a locução de futebol, em um momento em que a televisão já dominava a atenção das pessoas. Com expressões como “ripa na chulipa” e “pimba na gorduchinha”, Osmar usou o bom humor e a linguagem próxima a do ouvinte para trazer a audiência para o rádio.

 

Já no final da década de 90 e início dos anos 2000, o futebol começou a ganhar ainda mais espaço no rádio com a tendência de ser incluído em estações populares em seus horários nobres, até mesmo em FM com programas dedicados ao pré-jogo, análises e discussões pós-jogo. A verdade é que não vimos a TV “matar” o rádio, mas sim, o meio ainda mais forte e com uma programação ainda mais diversa de conteúdo futebolístico.

 

A próxima etapa desta evolução passa pelo áudio digital, ouvido por aplicativos como o TuneIn, que reúne todas as principais rádios do mundo, diretamente pelos apps das estações ou ainda via streaming. Hoje no TuneIn você consegue, independente de onde esteja, escutar a narração de todos os jogos do Brasileirão (Série A / Série B) ou mesmo da libertadores, coisa que antigamente só era possível acessando uma rádio local.

 

O surgimento do áudio pela internet alterou o modo de consumo deste meio. Segundo pesquisa da Audio.ad “Cenário do Áudio Digital no Brasil”, de 2016, 52% dos ouvintes de rádio pela internet escutam através de PCs, 45% ouvem via smartphones e 19% por meio de tablets e Esportes é o terceiro conteúdo mais consumido depois de músicas e notícias.

 

Em 2018, viveremos a Copa da Rússia, com o áudio digital praticamente consolidado entre os fãs de rádio. Com jogos na parte da manhã e início da tarde, não há dúvidas de que muitos recorrerão ao recurso digital para poder acompanhar não apenas os jogos, mas também as notícias das partidas e novidades da seleção nacional por meio das rádios online, enquanto realizam outras atividades.

 

Diante desta perspectiva, será interessante observar como os anunciantes vão aproveitar esta oportunidade única de conexão com os consumidores. Do radinho de pilha com chiado ao áudio digital no aplicativo, a verdade é que o futebol sempre esteve “colado” no ouvido dos brasileiros. Aliás, não é lá que sua marca gostaria de estar?

 

Rodrigo Tigre é sócio-diretor da RedMas,da Cisneros Interactive, é uma empresa líder em soluções de publicidade digital na América Latina e no mercado hispânico dos Estados Unidos

 

A Copa do Mundo na palma da mão

Há quatro anos, antes do início da Copa do Mundo do Brasil, 48% dos fãs de futebol tinham a intenção de usar os seus dispositivos móveis para acompanhar de perto as atrações do evento, de acordo com dados do Interactive Advertising Bureau (IAB). Outro exemplo de como o mobile já era relevante naquele período é o fato de que 79 milhões de pessoas acessaram conteúdo referente ao mundial por meio de smartphones após o apito final da partida entre Estados e Alemanha, na fase de grupos.

 

Neste intervalo de tempo, não é exagero dizer que vivenciamos uma explosão de crescimento na adesão aos dispositivos móveis. Em 2014, quando a seleção brasileira se preparava para disputar a Copa do Mundo, o Brasil era uma nação com aproximadamente 81,5 milhões (fonte Cetic.br) de pessoas conectadas à internet via smartphones. Em 2016, de acordo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população do País conectada à internet já passava dos 116 milhões, sendo que o celular era o meio preferido de conexão para 94,6% das pessoas.

 

Não há dúvidas de que teremos a Copa do Mundo mais conectada de todos os tempos, o que representará uma oportunidade única de acesso aos consumidores. Os dispositivos móveis terão um papel fundamental nesse processo, principalmente, como segunda tela. Por conta dos diferentes horários dos jogos, nem sempre será possível contar com uma TV para acompanhar o Mundial. As pessoas recorrerão aos smartphones para buscar notícias sobre os jogos, acompanhar os resultados, assistir os melhores lances, e claro, compartilhar as emoções após as partidas.

 

Este contexto esportivo oferece às marcas diversas oportunidades de estarem presentes e fazer a diferença com as suas campanhas, acompanhando os usuários neste momento único, em que o dispositivo móvel será o canal de informações relacionadas à seleção brasileira e a Copa do Mundo. As principais marcas vão estar muito ativas em diferentes canais e com comunicações de perfis distintos, por essa razão, a estratégia mais eficaz deve ser por meio da execução de campanhas em vídeo.

 

Os vídeos são capazes de fazer com que um consumidor gaste 30, 60, 120 segundos ou mais, observando uma mensagem. É neste cenário que as marcas podem se beneficiar, levando em consideração que o vídeo ajuda a comunicar visualmente e a gerar um call to action específico. As ações de marketing focadas neste formato, sem dúvida, terão mais sucesso por permitirem um relacionamento na mesma sintonia dos usuários.

 

Se o vídeo é o formato mais adequado, o melhor momento para impactar as pessoas é durante a navegação em jogos ou aplicativos, que é quando o usuário se encontra em um estado de relaxamento e alegria. Toda vez que uma pessoa inicia um jogo, ela está com a atenção máxima. Ao analisar as estatísticas, por exemplo, este é o momento com sessões de conexões mais extensas, especialmente se comparado com o segmento de notícias. 

 

Outra especificidade dos jogos a ser considerada é a maneira clara como comunicam sua monetização. Este fator faz com os usuários se relacionem com as campanhas de uma maneira diferente, aceitando a exposição à publicidade, uma vez que já estão acostumados e até esperam determinados vídeos ou formato de publicidade das marcas.

 

Todas as soluções podem e devem ser enriquecidas com o uso adequado dos dados e da tecnologia. É possível otimizar as estratégias em tempo real, utilizando variáveis como temperatura, hora do dia, contexto, localização, entre outras, para oferecer mensagens relevantes às audiências. Por exemplo, durante a Copa do Mundo, as marcas poderão impactar os usuários com mensagens de acordo com o resultado de uma partida em tempo real ou segmentar e impactar somente o público relacionado ao futebol. Estes recursos só estão disponíveis por conta da compra programática e das capacidades tecnológicas proporcionadas pelos dispositivos móveis.

 

Chegou o momento de aproveitar a Copa do Mundo e o contexto favorável para se comunicar com os consumidores. Caso contrário, só daqui a quatro anos, no próximo mundial.  

Alberto Pardo é CEO e fundador da Adsmovil

Os textos e as fotografias veiculadas nas páginas do aQui se encontram protegidos por direitos autorais, sendo vedada sua reprodução total ou parcial para finalidades comerciais, publicitárias ou qualquer outra, sem prévia e expressa autorização de Jornal Aqui Regional. Em hipótese alguma o usuário adquirirá quaisquer direitos sobre os mesmos. E no caso de utilização indevida, o usuário assumirá todas as responsabilidades de caráter civil e/ou criminal.