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Sábado, 25 de Novembro de 2017
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Publicado em 13/11/17, às 09:56

2107

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Por pouco, o que parecia um erro de digitação não custou a vida de um garoto epiléptico. Do voltarredondense Caíque Barcelos Lopes, 15, que vive, literalmente, à base de remédios. Segundo laudo do médico neurologista Cláudio Manuel Brito, a doença do rapaz é de difícil controle, com intensas e frequentes crises. Caso fique sem medicamento, mesmo que seja por um dia, ele pode morrer. Sem condições financeiras de comprar a quantidade de drogas necessárias para mantê-lo consciente, a família recorre à farmácia municipal.

O problema é que, de acordo com Lopes Neto, avô de Caíque, na farmácia municipal falta medicamento de um modo geral. “Mas sobra burocracia”, dispara. Não fosse por sua persistência, seu neto poderia ter ficado sem um importante remédio para o seu tratamento até o ano 2107, isso mesmo até dois mil cento e sete. “Atualmente, além de faltar remédio, enfrentamos uma burocracia castigante. O prefeito propôs ao Judiciário que, na falta de algum remédio, deveríamos solicitá-lo não diretamente à prefeitura, mas recorrer à Defensoria para que esta envie um pedido à Comissão Municipal de Demanda à Saúde com o prazo de 7 dias para responder”, conta Lopes Neto.

Ele vai além. Diz que seu neto, Caíque Lopes, teria que tomar todo mês o remédio Globazam. “O juiz pediu que a prefeitura disponibilizasse dinheiro para que eu pudesse comprar o remédio em outra farmácia. A tal comissão, no entanto, emitiu como resposta um documento mentiroso, alegando que meu neto já tinha ganhado uma quantia que daria para comprar o remédio por 90 anos”, denunciou.

Questionado se tudo não passara de um mal-entendido ou um erro de digitação, Lopes rebateu. Concorda até que possa ter havido uma possível falha na hora de digitar o documento, mas explicou que chegou a apontar o erro para a pessoa que lhe atendeu na Comissão de Demanda à Saúde. E foi ignorado. “Quando dei entrada na Defensoria com a resposta da Comissão, notei o erro. No dia seguinte voltei lá e solicitei a correção do documento. Ninguém fez nada e então o juiz indeferiu meu pedido, porque, segundo a resposta – má redigida da comissão-, meu neto tem remédio até 2107. O juiz deve ter me achado um pilantra, mau caráter”, desabafou. “E não sou”, pontua.

Lopes conta que conseguiu resolver o problema na Justiça, mas teve de desembolsar um bom dinheiro para não deixar seu neto desamparado até que tudo se acertasse. “Eu sou aposentado e a mãe está com dificuldades, mas felizmente consegui o dinheiro para comprar. Quantas pessoas que não têm condição financeira alguma passam por isso? É um absurdo! É brincar com a vida do ser humano”, disparou, frisando que o que mais tem lhe deixado fulo da vida é o discurso de bom gestor de Samuca.

“Nas rádios e outros lugares, o prefeito diz que em Volta Redonda não faltava dinheiro, mas, sim, gestão. Então pergunto: por que falta remédio na farmácia municipal? Por que tanta burocracia? Se tivessem me dado atenção e corrigido o erro, nada disso teria acontecido”, considerou.

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